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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Dom Luciano, memória viva nesses 10 anos de falecimento

Geraldo Trindade



Após 10 anos da partida de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, brota espontaneamente a memória viva e cativante da sua simplicidade, do seu amor aos pobres, das suas renúncias, da sua docilidade com a fraqueza do próximo, da sua firmeza e insatisfação na injustiça. Ele que foi desde sua morte chamado de santo, agora passa pelo resgate de suas virtudes evangélicas que devem motivar a vida cristã de cada homem e mulher no dia de hoje.
Dom Luciano nasceu no Rio de Janeiro no dia 5 de outubro de 1930 foi o primeiro bispo jesuíta no Brasil. Era arcebispo de Mariana quando faleceu aos 75 anos de idade no dia 27 de agosto de 2006.  Exerceu funções de relevância nos diversos sínodos em Roma, foi secretário geral (de 1979 a 1986)  e presidente (1987 a 1994) da CNBB. Atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano e da Comissão Episcopal para a Superação da Miséria e da Fome. Porém, nada disso encerra a sua vida e muito menos sua santidade.
A santidade é vida que brota da cotidianidade da vida, onde se tem que desapegar, se libertar e se desprender de certas coisas para possuir outras. Grandes e pequenas renúncias se entrelaçam nos santos e isso não poderia ser diferente com nosso Dom Luciano, a fim de que levasse de forma mais efetiva na sua vida um amor total, sem horas, sem reservas para com seus pobres, que são também os pobres de Deus. Seu amor a eles em circunstâncias que poucos de nós seríamos capazes de amar colocou e ainda coloca em xeque nosso amor próprio, nossos egoísmos e falsidades.
Talvez, após essa década, perguntemos se Dom Luciano buscou a santidade pela santidade. Acredito que não, pois buscou, sobretudo, servir ao outro “in nomine Iesu”, “em nome de Jesus” sem grandes pretensões a não ser levar um poço de alento e conforto aos mais sofridos e excluídos, falando do amor de Deus por meio dos seus gestos de amor, do seu sorriso manso, da sua voz firme e profética, mas carregada de imensa sutileza, da sua vida de oração, que fazia assimilar e viver que o Evangelho de Jesus, Deus conosco, é acima de tudo Boa Nova de alegria às pessoas, uma mensagem de que Deus ama estar com os pequenos e impulsiona a quem tem fé e proclamar sempre que nenhum dos filhos de Deus estão sozinhos.
“Antes de tudo, devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nos propomos sozinhos, que nós obtemos com as nossas qualidades e capacidades. A santidade é um dom, é a dádiva que o Senhor Jesus nos oferece, quando nos toma consigo e nos reveste de Si mesmo, tornando-nos como Ele é. Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que ‘Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar’ (Ef 5, 25-26). Eis que, verdadeiramente, a santidade é o rosto mais bonito da Igreja, o aspecto mais belo: é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Então, compreende-se que a santidade não é uma prerrogativa só de alguns: é um dom oferecido a todos, sem excluir ninguém, e por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão” (Papa Francisco, audiência 19/11/2014).

Nosso arcebispo marianense resguarda para a posteridade essa bela face da Igreja, que a torna mais santa, mais atraente e mais pertencente a Seu Senhor Jesus. Podemos fazer memória dos casos, encontros e gestos do bispo dos pobres; o mais importante que brota disso é quando tudo isso confronta com nossa vida e prática cristã e nos sentimos envergonhados pelas nossa misérias e instantaneamente acende em nós o desejo de sermos mais de Deus, de nos deixar cativar e envolver por Ele em um entusiasmo que transborda no amor e nas renúncias pelo nosso próximo, como ele pediu no leito de morte: “Não se esqueçam dos meus pobres!”  Agora podemos dizer e repetir como ele: “Deus é bom”. E é muito bom ter essa certeza, como o é também pelo seu modelo, por sua vida que nos inspira e nos ajuda a conformar nossa vida à vida de Jesus.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Dom Luciano, servo de Deus e da alegria

Geraldo Trindade
  
Dom Luciano Mendes de Almeida soube viver a alegria do evangelho como nos propõe o papa Francisco. Soube enxergar em todas as ocasiões e momentos a oportunidade de viver a alegria do evangelho, mas, sobretudo, de anunciar esta alegria aqueles que mais necessitavam: os mais necessitados, os mais carentes, os mais pobres, os mais desprezados pela sociedade. Dom Luciano soube viver a alegria do evangelho contornando sua vida pelos preceitos da caridade, do amor ao próximo, do serviço, da doação, da disposição em abrir mão de sua vontade para realizar a vontade de Deus. Soube ser sábio sendo simples. Servidor sem ser submisso. Alegre sem ser faceiro. Comprometido sem ser extremista. Pela palavra e pelo exemplo, dom Luciano deixou sua marca no chão mineiro da Arquidiocese de Mariana.
  Dom Luciano nasceu no Rio de Janeiro no dia 5 de outubro de 1930. Viveu sua vida segundo seu lema episcopal  “In nomine Iesu” (Em nome de Jesus). Era arcebispo de Mariana quando faleceu aos 75 anos de idade.  Exerceu funções de relevância na Igreja, participou de diversos sínodos em Roma, foi secretário geral e presidente da CNBB, fez parte do Conselho Permanente desta entidade, atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano.
Dom Luciano marcou o coração de inúmeras pessoas, marcou porque todos nós precisamos de exemplos e de bons exemplos. Precisamos ser radicais em nossas escolhas e ele viveu isso completamente em sua vida! Celebrar mais um ano do “dies natalis” (dia 27 de agosto, dia em que faleceu) deste servo bom e fiel de Deus é oportunidade de resgatar em nossa memória o grande bem que o arcebispo de Mariana realizou em favor da sociedade brasileira e da igreja católica.
Agora como seu processo de beatificação e canonização aberto, dom Luciano é servo de Deus, servo da caridade, do amor e do próximo, servo do outro totalmente Outro, servo do outro totalmente Irmão. Dom Luciano percorreu em todos os âmbitos, ambientes e realidades porque os santos são aqueles que não se acomodam às situações, mas os que enxergam além.
Dom Luciano é símbolo, ícone de uma caridade, de um cristianismo que cada dia mais precisamos resgatar em nossa vida. Os relatos de pessoa que conviveram com dom Luciano são marcados por um senso de humildade que transparecia em todas as suas ações, mas ao mesmo tempo de grandeza nos pequenos gestos do arcebispo. No olhar, no encontro com alguém e ver nele uma história, uma vida, um sonho. De em cada um perceber uma experiência que não pode ser perdida. Por esta singeleza da ação, por esta alteridade totalmente cristã, dom Luciano pode ser chamado o irmão do outro. Nem amigo, nem colega, nem conhecido, mas irmão, que sentiu a dor, que se aproximou, que viu, que sentiu e amou! O apóstolo do amor e da caridade mostra que só se é possível viver o cristianismo amando, só se pode ser cristão despojando-se de toda e qualquer vaidade!


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O legado da caridade de Dom Luciano Mendes

Geraldo Trindade

Após 8 anos de falecimento do arcebispo marianense Dom Luciano Mendes de Almeida, pode-se ter uma noção dos aspectos de sua vida que o torna apto a alcançar a honra do altares e passar a ser apresentado pela Igreja Católica como exemplo de santidade e modelo de fé em Jesus Cristo.
            A Congregação para a Causa dos Santos autorizou a abertura do processo para a canonização em nível diocesano, que vai ocorrer no dia 27 de agosto. O pedido enviado a Roma foi assinado por mais de 300 bispos brasileiros. Dessa forma, Dom Luciano passa a ser chamado Servo de Deus. Agora passa-se a analisar presumiveis milagres e ouve-se as testemunhas.
            Dom Luciano nascido no Rio de Janeiro no dia 5 de outubro de 1930 foi o primeiro bispo jesuíta no Brasil. Viveu sua vida segundo seu lema “Em nome de Jesus”. Era arcebispo de Mariana quando faleceu aos 75 anos de idade.  Exerceu funções de relevância, tais como participação em diversos sínodos em Roma, secretário geral (de 1979 a 1986)  e presidente (1987 1 1994) da CNBB. Fez parte do Conselho Permanente desta entidade de 1987 até sua morte. Atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano e da Comissão Episcopal para a Superação da Miséria e da Fome.
            Mas, o grande legado deste bispo é a caridade. Caridade que a própria identidade de Deus porque “Deus é amor” (1 Jo 4, 16).  O amor que retratava beste grande homem pela caridade era a forma que ele encontrava de no cotidiano da vida experimentar das realidades celestes. Dom Luciano era um servo dos humildes, dos pobres, dos simples e dos marginalizados. Já no leito do hospital pediu: “Nãos esqueçam dos meus pobres” e por isso é chamado por muitos como “o pastor dos esquecidos”. Ele fazia os pequenos gestos e palavras serem carregados de suma importância, capazes de gerar conforto, consolo e alívio. Quando foi eleito presidente da CNBB lhe perguntaram como seria sua atuação. Ele mais uma vez demonstrou sua caridade, que provém de um coração próximo ao de Deus, capaz de sentir e ver a partir dos mais sofredores: “Peço a Deus atuar na conversão dos homens do egoísmo ao verdadeiro amor, sem conformismo e se  a impaciência dos violentos, para que as estruturas de convivência humana correspondam cada vez mais à dignidade dos filhos de Deus”. 
Sua presença discreta, e na maioria das vezes atrasada, era aguardada com ansiedade por todos, pois era “Dom Luciano que estava vindo”. Santos nos fazem esperar, pois não é qualquer dia que os encontramos vivos. Santos elevam nossos corações para Deus e os estende aos irmãos. Santos nos mostram como Deus age e cuida daqueles que são mal vistos e mal amados. Santos nos arranca de nosso comodismo e nos mostra uma lógica própria, pois é a lógica do amor misericordioso. Santos como Dom Luciano não são simplesmente homens, mas uma “imagem bonita de Deus” como uma vez Mons. Júlio Lancelotti descreveu o bispo marianense.

domingo, 18 de agosto de 2013

Dom Luciano Mendes: Dom e Luz



Geraldo Trindade 

            Há 7 anos, o Brasil se despedia de um homem, de um bispo, de um santo. No dia 27 de agosto de 2006 partia e deixava-nos dom Luciano: “Luz e Dom de Deus”. A luz e o dom presente em dom Luciano não passavam despercebidos, tocavam a alma e o coração de cada um que o encontrava por mais ligeiros e sutis tais encontros: era o doce olhar, o meigo toque, a singeleza da postura e o desarmamento de suas palavras.
            Esta presença reconfortadora encontramos também no papa Francisco. Em muito eles se assemelham; não simplesmente por serem jesuítas. Na ocasião de sua eleição para a cátedra de Pedro, o cardeal Bergólio, agora papa Francisco, escutou ao pé do ouvido as palavras do cardeal Cláudio Hummes: “Não esqueça dos pobres!” Intuitivamente, veio à minha mente a narração do fato de que dom Luciano antes de morrer disse ao seu irmão Luiz Mendes de Almeida: “Não esqueça dos meus pobres!”
            Os escolhidos de dom Luciano foram os mesmos que Jesus escolheu, os pobres. Eles encontraram no coração do bispo marianense receptividade, mais do que isso, encontraram um coração disposto que escolheu a simplicidade, a generosidade e a proximidade como o cartão visita. Além do mais, a dom Luciano era essencial servir à comunidade, sobretudo os mais necessitados, os que estão à margem da sociedade e de nossa atenção. Para ele amar não é uma simples doutrina, é um estilo e uma prática de vida. De fato, “a Luz e o Dom do Brasil” soube levar ao cumprimento a Lei do Senhor, crendo, ensinando e praticado o que professava e ensinava.
            Eis o grande legado de dom Luciano: seu amor aos humildes e pequenos por meio de sua atitude serviçal. Para quem fez da frase: “Em que posso ajudar?” seu lema de vida, não é de se espantar que não medisse esforços para viver
Foto:Jornalista Carlos Pacelli/ Arquivo
radicalmente o seguimento a Cristo. Essa escolha fundamental por Cristo se expressa bem no documento de Santo Domingo, em especial na oração que levou em seu bojo os dedos e as mãos do arcebispo. Expressa-se na seguinte forma: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, Bom Pastor e irmão nosso, nossa única opção é por Ti.” A radicalidade de sua vida encontra em Jesus Cristo seu fundamento, seu amor radical pelo outro encontra sua fonte em Jesus Cristo, sua caridade fraterna encontra em Jesus Cristo o exemplo!
            Dom Luciano soube como ninguém encarnar o Evangelho. Aliás, os santos se diferenciam exatamente por serem o Evangelho vivo, capazes de nos interpelarem na prática da nossa vida e do nosso seguimento a Jesus Cristo. Os santos irradiam sobre a terra um teor de vida mais humana, graças a eles a humanidade se torna mais humana. Eles são capazes de alimentar o mundo com frutos espirituais e infundir o espírito do Evangelho.
            No dia 27 de agosto, a Arquidiocese de Mariana, na qual dom Luciano foi seu 4º arcebispo, presta sua homenagem por meio da Comenda dom Luciano Mendes de Almeida do Mérito Educacional e Responsabilidade Social. Neste dia, na catedral metropolitana haverá celebração eucarística às 18h30. Logo após, haverá a outorga da comenda aos homenageados: mons. Lázaro de Assis Pinto, mons. Pedro Terra Filho, padre Marcelo Moreira Santiago, padre Márcio Antônio de Paiva, prof. dr. Emilién Vilas Boas Reis e Arsenal da Esperança dom Luciano Mendes de Almeida.

            Esta homenagem prestada ao nosso “Dom e Luz” vai para além da recordação saudosa do homem e do legado do arcebispo. É o tempo da graça de Deus, o kairós, para reavivar em nós, por meio do seu testemunho profundo e radical com o bem do próximo, o comprometimento; não opcional, mas inerente à vida cristã, o cuidado com o próximo. Resta-nos o questionamento à luz da Palavra de Deus: “de quem me faço próximo?” Do pobre, do excluído, do marginalizado, do violentado, do malvisto?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Rastros de luz: Dom Luciano Mendes e Dom Hélder Câmara


Geraldo Trindade 


          

       O arcebispo marianense, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, é lembrado pela sua grandeza espiritual. Não foi apenas bispo, mas também companheiro, pastor, irmão de todos, doce e amável no trato. Quem o conheceu teve dele uma acolhida marcante e ímpar. Este próximo 27 de agosto remonta àquele de 6 anos atrás, quando este grande homem despedia-se deste mundo e adentrava aos céus com as palavras “Deus é bom!”

    O “bispo dos pobres” como era comumente chamado viveu sua fé na radicalidade e por isso se tornou um eco profundo de que se deve acreditar em Deus e  colocar em prática os valores evangélicos. Ele sabia como ninguém amalgamar a vida e a oração, não apenas em sua expressão verbal ou declarativa; mas plena na ação real e concreta. Ele soube, em meio às dores físicas e espirituais, aceitar a cruz por si mesma, pelos outros, pelos sofredores anônimos que padecem e por isso tocaram com profundidade a alma de Dom Luciano.

            As palavras, os gestos, a vida de Dom Luciano colocam em xeque as nossas palavras, gestos e a nossa vida. O bispo marianense sofria de alto senso de dignidade humana, que, muitas vezes, era incompreendido. Ele sofria com o outro, comportava-se com os outros tratando todos como iguais, dignos de confiança. Ele via em cada pessoa uma criatura amável, lida e admirável. Por tudo isso, ele foi deixando um rastro de luz por onde passou.


            A Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida de Mérito Social e Educacional outorgado pela Arquidiocese de Mariana será no próximo dia 27. A homenagem à Dom Luciano terá início com uma celebração eucarística, na Catedral, às 18h30, seguida da sessão solene, no Centro Cultural Arquidiocesano Dom Frei Manoel da Cruz, onde será conferida a honraria da comenda aos homenageados: Dom Walmor Oliveira de Azevedo (arcebispo de Belo Horizonte), Dom Francisco Barroso Filho (bispo emérito de Oliveira), Dom José Belvino do Nascimento (bispo emérito de Divinópolis), Mons. Flávio Carneiro Rodrigues (diretor do Arquivo Eclesiástico de Mariana), Mons. Júlio Lancelloti (Vigário Episcopal para o Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo) e as Irmãs da Beneficência Popular.

            É também neste dia, que nossas memórias se misturam pela lembrança de outra figura singular, Dom Hélder Câmara, que foi arcebispo de Olinda e Recife. Ambos, dom Luciano e dom Hélder, souberam viver neste mundo a diaconia cristã, do serviço fraterno, alegre e impetuoso, pois eram tomados pela fé em Cristo e em seu projeto de salvação. Eles nos envergonham pela radicalidade e fidelidade ao Evangelho, pois sabiam que o mundo, sofrido, complexo, pluricultural, midiático e ideário, é espaço absoluto e completo da ação do evangelizador. Souberam anunciar as verdades da fé cristã no amor ao pobre, ao sofredor, à criança órfã, ao doente abandonado, ao faminto que clamava um pedaço de pão...

            Caracterizam estes santos homens a expressão de que souberam revestir-se de cotidiano as verdades eternas do Reino prometido. Esta atitude exige ser tomado pela pura humildade na mais completa atitude de ser servidor, tornando presente o amor de Jesus aos simples e pequenos. “Quando fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim fizestes.” (Mt 25, 40)


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Em Dom Luciano tudo era In nomine Iesu
Geraldo Trindade
Os santos não se repetem. O Senhor da Vida, em sua providência de Pai, reserva em cada tempo, conforme a necessidade de seu povo homens e mulheres que com sua vida dão testemunho vivo do Evangelho. Por isso, a mensagem que eles nos deixam é eterna e atual. Por meio da humildade imitam o Filho de Deus e tornam-se uma lição gritante para cada um de nós, hoje. Seu despojamento, sua pobreza singela e realista é uma interpelação veemente para nós e para os que vinrão depois.
            Os santos são o Evangelho não em palavras, mas em vida, sem comentários, sem notas de roda-pés que perduram por anos e séculos. Tornaram-se mestre na fé, pois ousaram lançar-se, atestaram o reino de Deus por meio do testemunho, de saltarem-se no Mistério de Deus, transbordando-o, confundindo-se com ele em um processo irrenunciável e irrefutável.
            O dia 27 de agosto deste ano será marcado pela lembrança saudosa de Dom Luciano Mendes de Almeida. No dia 26, o Brasil unindo-se à Arquidiocese celebra os 5 anos de falecimento do amado bispo, que sempre deixou um rastro luminoso de generosidade, de santidade, de paixão pelo próximo e por Deus. Neste dia, na Catedral Metropolitana de Mariana haverá a Celebração Eucarística às 18h30. Logo após, às 20h, haverá a solenidade de entrega da Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida do Mérito Educacional e Responsabilidade Social. Este ano serão homenageados: Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, Padre Paulo Vicente Ribeiro Nobre, Irmã Carmen Mendes de Carvalho, Irmã Neusa Quirino Simões e Grupo NATA.
            O “pastor dos esquecidos” nasceu aos 5 de outubro de 1930 no Rio de Janeiro, sendo seus pais Cândido Mendes de Almeida e Emília de Mello Vieira Mendes de Almeida. Ordenou-se padre na Companhia de Jesus (jesuítas) aos 5 de outubro de 1947 em Roma. Em 2 de maio de 1976, foi ordenado bispo, auxiliando na Arquidiocese de São Paulo e em 6 de abril de 1988 foi nomeado arcebispo metropolitano de Mariana.
            Em Dom Luciano se manifestava o fascinante amor pela humildade, pelo despojamento e pela simplicidade. Em sua vida e missão sempre esteve presente as marcas da fidelidade e da generosidade.
            Além de tudo isso acima e tudo mais que se fala de Dom Luciano, quem foi ele? Um bispo, presidente da CNBB e secretário geral da mesma entidade, arcebispo de Mariana – primaz de Minas Gerais.... Ele, porém é conhecido mais por ter sido amigos dos simples, dos pobres e dos pequenos. Ele foi a voz dos sem-voz, foi a paz e o diálogo nas situações de conflito, foi a generosidade no agir, bondade e compreensão na acolhida e no encontro com os outros, amabilidade e servir como meta constante... Nisso esconde-se o mistério de sua santidade: de se renovar no serviço humilde e desproporcionado de reconhecimento.
            Em quantas vidas, Dom Luciano esteve presente! Ele não se importava com o retorno humano e afetivo, mas contava com a grata satisfação de, por meio dele, ter manifestado a grandeza do amor de Deus. Neste ano de 2011, 5 anos após seu falecimento, é mais uma oportunidade que se desponta para não deixar que o vazio e a escuridão tome conta de nossa memória de nossas ações, mas de sermos tomados pela luz que brilhou em Dom Luciano: o amor de Deus.
            Por onde andou Dom Luciano quando esteve em nosso meio? Sua companhia foi os pobres, os miseráveis, os simples, os abandonados. No entanto, por onde ele andou? Claro, só podia ser lá, mesmo estando aqui. Ele andava pelo céu!