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domingo, 16 de agosto de 2015

O dominó da desmoralização

                                                                                                                  Iury Nascimento*

É agravante a decadência moral da sociedade pela falta de consciência de muitos cidadãos, governantes e governados. Tudo está sendo reduzido a nada, o homem está deixando de ser aquilo que é pra se tornar coisa; é um verdadeiro dominó desmoralizante. A sociedade está perdendo a capacidade de distinguir o bem e o mal, ou não quer nem distinguir para satisfazer a seus próprios instintos.

Estamos no estágio de desumanização, um mundo que pisoteia a sua própria consciência negando a sua própria humanidade. “Será inócuo encher as páginas de leis e as prateleiras de códigos, como também será inócuo encher as ruas de policiais, enquanto a humanidade na for chamada a respeitar a própria consciência.” [1]. É isso que acontece, quando o homem exclui a própria lei da consciência. Ele fica cego, desorientado, causando uma grande desordem moral.

É o que vemos na sociedade (e no mundo), governos querendo legalizar o assassinato de seres humanos inocentes, abrindo as portas para o “casamento” de pessoas do mesmo sexo, a destruição do conceito de homem e mulher com a Ideologia de Gênero; a venda de fetos assassinados cruelmente. É o homem destruindo a sua própria humanidade, levando a sociedade a perder aos poucos sua alma e sua esperança.

“A maior crise da sociedade é a da consciência. Rouba-se, mata-se, corrompe-se, tapeia-se, prostitui-se, engana-se... como se as consciências estivessem mortas, e como se Deus não existisse.” [2] Precisamos dar um salto moral, começando pelas famílias, hoje tão atacadas por tantas ideologias que tentam desmontar a célula motriz da sociedade. Os pais precisam se conscientizar e fazer alguma coisa para que a educação dos seus filhos, não seja regida primeiramente pelo Estado; são os pais os primeiros educadores de seus filhos.
A escola hoje está se tornando, ou melhor, já é um lugar que ao invés de educar os nossos filhos para o bom caráter, está destruindo a moral dos futuros cidadãos. Os nossos filhos estão sujeitos às más influências do Estado. O silêncio aqui não adianta, ou tomamos uma posição frente ao que está acontecendo ou seremos engolidos e esfacelados por essa decadência moral. Somos homens e mulheres com consciência e sabemos o que é errado e o que é certo, porém se não lutamos pelo bem moral, o mal aos poucos vai obscurecendo o que é bom.

Dizia um filósofo existencialista cristão, chamado Gabriel Marcel: “Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive.”. É isso que está acontecendo na sociedade em que estamos, acabamos pensando que o que estamos vivendo é normal; acabamos julgando normal abortar bebês, (homossexuais) pessoas do mesmo sexo se casarem, a venda de fetos abortados etc., e sufocamos a nossa consciência, às vezes reta e bem formada, pela qual sabemos que tudo isso, não é normal.

Tenhamos uma tomada de consciência à frente da sociedade, e lutemos para que ela seja consciente, justa e bem formada; que segue a razão, “de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador.”. [3]


* Iury Nascimento é leigo, pregador católico e ministra cursos de formação básica sobre temas católicos. Mantém o blog: http://evangelizarr.blogspot.com.br/

Referências
1. AQUINO, Felipe. A moral católica e os dez mandamentos. Lorena, Cléofas, 2010.
2. Idem.
3. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. § 1783.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Breves reflexões para o nosso tempo pós-moderno


Geraldo Trindade



A realidade que se descortina e é vivida por nós é fruto de sementes lançadas anteriormente. No caso do Brasil, uma cultura colonial, escravocrata, marcada pela exploração da natureza e por  práticas corruptas sempre houve uma cultura de manipulação e desrespeito. Há o triste traço marcante do cotidiano brasileiro: crianças sendo mortas, corrupção, balas perdidas, pessoas mendigando, milhões em sonegação... Viver está esquisito? Muitos estão se portando acima do bem e do mal como se fossem donos do mundo.
Dinheiro, poder, beleza, nada disso desabsolutiza a finitude da vida. A ciência nunca vai inventar um elixir que ressuscite o corpo morto. A busca desenfreada pelo dinheiro se revela em atitudes corruptas, antiéticas e de esperteza. Estabelecem-se paralelos entre eu e o outro, em uma crise comparativa do valor pecuniário e posição social. Desejar o que é do outro tornou-se mania, que destila veneno na alma.
A dita inveja, de tão cruel e perigosa aplaude as injustiças em detrimento da justiça, de valorização daqueles que, mesmo com caráter duvidoso chegam aos altos postos.
A pactuação com o jogo sujo, de certa forma vai matando a esperança dos brasileiros. Vive-se à espera de um futuro em meio à deslealdade e valores supérfluos. Faz tempo que a realidade imita os enredos novelísticos, que invadem as casas e impõem condutas, pensamentos e valores nem sempre éticos modificando os mais puros desejos e sentimentos. Cada vez mais, a sociedade vai se tornando apaixonada pelo virtual, banal e frívolo.
Aqueles que pautam suas vidas pela virtualidade dos meios de comunicação, não assimilaram que desapontamentos e sofrimentos fazem parte de suas vidas. Imitam de tal forma a ficção, que estão em constante atitude de revanche e vingança quando se sentem desfavorecidos e ameaçados. Cultua-se o rancor entre os adultos e entre as crianças. A autodefesa é conceito de valor repassado às crianças, confundindo agressividade com instinto de autopreservação.
Muitos sonham com o amor, com a amizade, com a família e com o afeto, mas o moderníssimo mundo é frio, congelante e distante. Nada é mais cruel do que a convivência desleal e marcada pela desconfiança. Como é bom relaxar e desarmar o coração! Amar aqueles que merecem o amor; amar sem esperar recompensas! Tal atitude perdeu sua presença ativa porque a tendência é relativizar as relações e absolutizar a compra e a venda. Quer-se projetar nas relações o que ocorre na lei de mercado.
 As relações intersubjetivas exigem, fundamentalmente, autenticidade. Nesse processo, as manipulações e falsidades não têm lugar. A relação sadia é elixir para alcançar a alegria verdadeira. Os pais já não têm tempo de educar seus filhos e cobiçam os bens de seus vizinhos e conhecidos. Esquecem-se de que quanto mais pautam suas vidas pelo consumo mais se tornam inseguros. Acreditam ser mais felizes não com o que têm, mas sonham com o que é do outro. Olvidam que o sentido da vida está onde menos se espera. Conquistar, usufruir, tornam-se verbos usados diariamente, gramaticalmente corretos ou não.
Vive-se a era do útil, do apolítico, do apático, do neutro. Nessa rotina do “tô nem aí” ou “pouco me importa”, o amor nasce velho, pois o “ficar” e o “pegar” o tornou retrógrado. A amizade verdadeira é desacreditada e a ternura tornou-se banal. É preciso que se busque o belo na vida, resgatá-o, por exemplo, na sabedoria, na música, na arte, na literatura; ou seja, como expressão essencial da vida. Basicamente é repensar a vida e procurar vê-la sob um novo olhar.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Jean-Paul Sartre

A autogênese do homem pela liberdade: um passeio em Sartre


Geraldo Trindade

Jean-Paul Sartre é um dos filósofos mais importantes da corrente existencialista. Pode-se ver em seu pensamento a angústia do homem moderno, em especial, daquele homem pós-guerra. Ele se atreveu a pensar essa realidade existencial que corresponde à visão de um homem sem fé, sem família, sem amigos e sem finalidade na vida.
Partir-se-á sob a temática da liberdade perpassando o pensamento sartreano e deter-se-á também às visões e percepções deste tema na contemporaneidade.
Sartre analisa de primeiro a consciência, que não é reflexiva, mas que acompanha todo o conhecimento, por exemplo, quando se conta balas, tem-se consciência de contá-las, isto é, o seu conteúdo é o objeto.
A concepção existencialista de homem para Sartre está intimamente ligada a este fundamento. Primeiramente, o homem existe e com o passar do tempo se descobre, passando a se perceber como criador de sua própria história e somente mais tarde é que se define. Passa, então, a ter consciência de si, além de tornar-se um aglomerado de projetos, cuja soma é o homem.
O homem concebido por Sartre tem uma dignidade imensa e por isso é capaz de se lançar e buscar.
A existência do homem é uma condição para ele construir-se como homem, pois sua realidade humana consiste no hoje que determina realizar. Por isso, o homem é responsável por si próprio, não no sentido individualista e intimista, mas responsável por todo os homens.
O subjetivismo no sentido existencialista é o homem que escolhe a si próprio e ao mesmo tempo todos os homens. Nesta escolha, o homem escolhe somente o bem e nada pode ser bom para um indivíduo se não for para todos. Assim, a escolha envolve toda a humanidade. Relacionando com a atualidade, mesmo que as escolhas sejam subjetivistas elas terão repercussão no todo. Daí , pode-se pensar hoje a preocupação com uma ação global em favor da vida, da paz e da ecologia, de forma que um gesto particular há de certa forma influenciar o todo, apelando para o senso de totalidade, mesmo se tratando de escolhas individuais.
O homem reconhecendo-se livre, percebe que não é apenas o que escolheu ser, mas também um legislador, que ao escolher escolhe também toda a humanidade. Dessa forma, ele se angustia porque tem que escolher a sua vida, o seu destino e dessa forma escolhe a humanidade e por isso não pode escapar do senso de responsabilidade.
Ele tem de escolher a vida e o seu destino sem nenhum apoio ou orientação de ninguém. O homem se encontra na condição de desamparo porque não tem algo em última instância que o salve, nem valores eternos.
O homem nada mais é do que uma série de empreendimentos, a soma, a organização, o conjunto de relações que constituem tais empreendimentos. Ele tem o destino em suas mãos e a esperança está em sua ação e ela é a única coisa que permite ao homem viver.
Se em Sartre se valoriza e se destaca o sujeito que escolhe e está fadado a sempre escolher, a contemporaneidade tem como princípio caracterizador a subjetividade. De forma que o homem não é visto mais como fenômeno totalizante com o mundo, mas nele o homem encontra seu lugar e seu destino. Esse distanciamento do mundo permite ao homem a descoberta de sua subjetividade, ele se descobre inserido totalmente no mundo. Como ser no mundo o homem estende-se para além do mundo, com capacidade de transformá-lo em função de si.
A liberdade em Sartre nada mais é do que a atuação do homem pela liberdade sobre o mundo e a realidade que o rodeia, dando assim sentido ao mundo. Nos tempos hodiernos o homem se contrapõe ao mundo como apenas meio para sua auto-realização. No pensamento sartreano, o homem é fonte de sentido para si mesmo. A partir de sua liberdade, isto é, sua incondicional condição, o homem vai escolhendo e se construindo. Essa tarefa de autogênese do homem será sempre incompleta.
Dentre os pontos de convergência da contemporaneidade e do pensamento do filósofo francês Jean-Paul Sartre, há a afirmação do eu. Essa afirmação leva em conta o contexto histórico e a forma como o homem tratará o mundo em que vive e toma decisões ante ao que lhe é apresentado. Expressa, também, o desejo do homem tomar o futuro e as esperanças dele em suas próprias mãos. Outro fator que está presente na contemporaneidade e está intimamente ligado a Sartre é a tentativa de fundar uma nova época tendo por base uma racionalidade que se auto-afirma no lugar de uma determinação teológica. Sartre parte do princípio de que Deus não existe e a partir dessa afirmação é que se construirá o homem e sua história. Fazer suas escolhas e se auto-construir  sem qualquer ordenação divina-daí se vê onde brota a angústia sartreana.
A principal caracterização da filosofia contemporânea é a encarnação da própria filosofia, ou seja, o seu lugar é na temporalidade. Dessa forma, coloca-se o homem na existência. A liberdade se torna casual, a existência dela é criativa. Ao afirmar o homem como centro ele não tem um ponto de referência, ele é o fim da ação.


Referências
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
_____. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Filosofar é uma atividade contínua em busca de algo

Geraldo Trindade
A Filosofia é uma ilustre desconhecida em nossa sociedade.
Sabe-se dos avanços reflexivos e das atividades do pensar promovidos pelo homem. Este provocado pelos problemas, pelas dificuldades e questões que o aflinge e permeiam toda a sociedade necessita re-elaborar todo o pensamento, convicções e compreensões.
A tentativa de pensar o problema e assim procurar sua solução é tão importante e necessária quanto a mera descrição do fato. É verdade que os problemas que atormentam nossa humanidade não sejam tão inovadores, porém estão presentes e são tão atuais quando surgiram. Aqueles que se propõem a pensá-los nem sempre encontram soluções e respostas, mas, às vezes propostas, embora não possam ser consideradas definitivas e absolutas.
A realidade é um convite permanente à reflexão. Assim sendo, a Filosofia desponta como uma análise pensante, racional e lógica de uma realidade, que é síntese e símbolo de sua época, embasada somente na capacidade de pensar.
Os “amigos da sabedoria” se prezam em estudar os problemas, a discutir as conclusões abrindo sempre novas perspectivas. Tais questões não podem ser tratadas em laboratórios; através de cálculos matemáticos, fórmulas químicas; mas são avaliados por uma explicação racional, com validade geral e que é aceita em sua época.
Enquanto cada ciência, como a biologia, a física, a economia, dentre outras, procuram explicar parte da realidade. Resta, destarte, à Filosofia analisar a realidade a partir de uma cosmovisão. Em paralelo à filosofia sistemática, metódica e acadêmica há a chamada filosofia de vida; que é a visão de vida e de mundo que cada um tem para si como verdade. Essa forma não deixa se ser a análise de aspectos diversos, já que a realidade é um convite permanente à reflexão. Assim, a Filosofia em suas mais diversas matizes desponta como uma análise pensante, racional e lógica de uma realidade.
A ânsia de saber é necessária. Como é também necessário sair do comodismo. Não é a busca de querer encontrar soluções e conclusões imediatas e sólidas, mas tanto na Filosofia quanto no simples pensar humano a dúvida se faz presente. Pode-se abranda-la ou diminuí-la, mas nunca aboli-la. Ela proporciona a capacidade de sempre avançar, buscando sempre novos horizontes.
A Filosofia é como diz o filósofo Bertrand Russel, “uma atividade contínua e não algo que possamos atingir, de uma vez por todas.”