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sábado, 5 de março de 2016

Qual deve ser a atitude de um cristão?

Geraldo Trindade 

            Muito se fala, discute e escreve sobre a situação brasileira. Na verdade, sobre o caos que impera sobre todos nós e um precipício se apresenta à nossa frente!
            Vivemos ou pior, experimentamos na pele a catástrofe econômica, onde cada dia mais as famílias perdem seu poder aquisitivo. Além disso, temos uma crise política onde os representantes, que deveriam liderar e trabalhar para o bem comum se esbaldam em negociatas e puro desprezo pelo bem público. O que vemos é uma maquina público-administrativa que é incapaz de garantir bom serviço nos setores da saúde, educação, segurança, transporte públicos, água e energia elétrica. Não se pode culpabilizar a falta de um orçamento que garanta melhorias no serviço público porque a sensação que se tem é que  os recursos não são escassos quando se trata de transferências do dinheiro público para as contas pessoais, gerando a enojada corrupção, tão conhecida e praticada descaradamente à revelia do bem do povo.
            Parece que os valores estão invertidos, que nada mais caminha como deveria caminhar. Vemos os bons estagnados enquanto os desonestos buscam seus “jeitinhos” para tirar vantagens que envergonham qualquer pessoa de caráter!
            Ainda há muitos problemas que não têm acesso à educação de qualidade, recebem baixos salários e têm dificuldade em desfrutar de serviços básicos oferecidos pelo Estado, como educação, transporte público e saneamento básico. As drogas cada dia mais ingressam nos variados ambientes e disseminam um rastro de morte e violência pelas cidades e famílias.
           Qual deve ser a atitude de um cristão? De que modo se pode influenciar em um mundo tão cheio de mal, corrupção e violência? 
            Jesus usa duas imagens: sal e luz (Mt 5, 13-16).
            O sal é que dá sabor, dá tempero àquilo que está insosso; evita que se perca o alimento, além do sal estar associado à pureza. Dessa forma, o cristão deve dar novo sabor ao ambiente que lhe cerca, evitando que o mal progrida e avance na vida e no coração. Não se deixando apodrecer pelas consequências do pecado. Jesus em outra passagem nos alerta: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).
            A luz é um símbolo muito especial nas Sagradas Escrituras. “Deus é luz e nele não há treva alguma” (1 Jo 1, 5). “O povo que andava em trevas viu grande luz” (Is 9, 1). Jesus se referia a ele como luz: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8, 12). Os seus discípulos, os que permanecem junto a Ele também são luz. Por meio deles a luz de Cristo se manifesta em cada rosto, nas palavras, nas ações, e ilumina o mundo. A luz elimina as trevas como também as boas obras eliminam cada dia mais o mal da nossa vida, ou seja, no testemunho diário deve-se proclamar o modo de Jesus agir. Dessa forma, as boas obras praticadas não devem chamar atenção para quem a pratica, mas para Deus.
            A missão do cristão é dupla no mundo: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar este processo da corrupção moral e espiritual, e como luz, para desfazer as trevas. Recorda-nos o papa Francisco: “Não se pode entender um cristão que não seja testemunha. Nós não somos uma ‘religião’ de ideias, de pura teologia, de coisas belas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e oferece testemunho”.




quinta-feira, 4 de junho de 2015

Charlie Charlie e a fé católica

Geraldo Trindade
 padre na Arquidiocese de Mariana

O que tem acontecido com as brincadeiras?!!!! O que significa o desafio Charlie Charlie?!
            Nos últimos dias a prática dessa “brincadeira” tem preocupado pais, professores e a Igreja. Essa prática tem sido muito recorrente no meio dos adolescentes e tem como propósito invocar os espíritos maus através da invocação “Charlie”, um suposto espírito mexicano a responder se está ali ou não. Há várias controvérsias sobre este espírito na cultura mexicana ou de povos antigos. Porém, a grande preocupação está na proximidade com o mal, o ocultismo, a invocação de espíritos e demônios. O grande mal está em abrir as portas do coração para a ação do mal e do demônio na vida das pessoas em uma prática real e concreta de invocar os espíritos.
Quem participa de tais rituais traz, além de danos espirituais, experimenta também danos psicológicos e morais. Tais práticas advém da curiosidade e da falta de fé cada vez mais frequente entre as pessoas.  Quando se invoca o mal acaba-se renegando a Deus, deixando de amá-Lo sobre todas as coisas e pedindo o auxílio de forças maléficas para a vida. Deve-se tomar cuidado! O demônio quer mesmo que o invoque, mesmo que seja numa “brincadeira”. 
            Invocar as forças ocultas do mal é pecar contra o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas. O próprio Deus proíbe que se procure adivinhações, feitiçaria, mágica, invocação de mortos (Dt 18, 10-12; Lv 19,31; 2 Rs 17,17; Mq 5,11). Estes que buscam a sua segurança nestas coisas serão renegados por Deus.
            “O mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O ‘diabo’ (‘diabolos’) é aquele que ‘se atira no meio’ do plano de Deus e de sua ‘obra de salvação’ realizada em Cristo”(Catecismo da Igreja Católica, 2851)
            O Papa Francisco no dia 30 de outubro de 2014 alertava em sua missa na Casa Santa Marta: “Fizeram crer a esta geração - a tantas outras - que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia, ideia do mal, mas o diabo existe e nós temos de lutar contra ele”. A luta contra o demônio é se armar com o escudo da fé. Não é um simples confronto, mas um contínuo combate contra o demônio. Por isso é preciso buscar a Deus, rezar, ouvir e colocar em prática a Palavra de Deus, receber a Eucaristia, a fim de que se possa ser santo como Deus é santo (1Pe 1, 15-16; Mt 5,48). Cristo venceu o príncipe do mundo quando Ele se entregou na cruz. Rezando Pai nosso (“livra-nos de todos os males”), pede-se que seja libertado de todos os males, presentes, passados e futuros dos quais o demônio é autor e instigador.
Rezemos:
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém”. (Papa Leão XIII)

“A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão meu guia. Retira-te satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno!”

quinta-feira, 22 de maio de 2014

É possível viver a fé no ambiente virtual?

Geraldo Trindade


Cada dia mais a internet com suas ferramentas e opções estão presentes na vida das pessoas. Ela nasceu de uma experiência militar norte-americana com a finalidade de conectar computadores em diversas partes do mundo. A partir de então, estendeu-se até às universidades e de lá para o planeta e o cotidiano das pessoas. Por meio do ambiente virtual está-se presente em toda parte do planeta, comunica-se, divulga-se cultura, conhecimento, pensamento religioso...  
            Como inserir a mensagem do Evangelho neste universo? E a experiência de fé? E a realidade comunitária-eclesial?
            Não basta ser simplista e pensar em “entrar” neste mundo digital; é preciso refletir em como “estar” nele.
            A Igreja encara os meios de comunicação como dons de Deus, capazes de criar laços entre as pessoas, além de desempenharem um papel social na sociedade e na história. É impossível não perceber a importância e a centralidade que os meios de comunicação social conquistaram em nossa sociedade!
            Cristo revelou-se na história e operou nela a salvação. Ele é a “grande comunicação” do Pai com o mundo. Desde então, a Igreja é desta preciosa dádiva, guardiã e portadora. Ela guarda a fé; mas também é comunicadora deste depósito. Por isso, a comunicação pertence à essência da Igreja. No dizer do santo João Paulo II, as novas mídias são como “o primeiro areópago dos tempos modernos”. Mesmo que estes meios de comunicação pareçam separados da mensagem cristã, eles oferecem oportunidades únicas para o anúncio do amor e da salvação de Cristo.
            A nossa Igreja Católica cada vez mais se insere no mundo digital, por meio de sites, blogs, vídeos, redes sociais, palestras, músicas, aplicativos... Tudo isso faz parte da obra de evangelização e enriquece a vida da Igreja, pois ela precisa dialogar com o sujeito de nosso tempo. Trata-se de comunicar a fé com novas expressões e de maneiras atuais, mas a verdade da fé é a mesma: o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo por meio da proclamação do Evangelho e do testemunho.
            Em um mundo indiferente e até hostil à fé cristã, à Jesus Cristo e ao Evangelho é preciso nutrir um desejo ardente de comunicar, de evangelizar no mundo real e virtual. O Evangelho é uma mensagem globalizada e o cristianismo, as verdades da fé estão abertas a todas as pessoas e culturas. Um homem pós-moderno, vazio, materialista e carente só encontrará razão de viver e de ser em Cristo Jesus. São mais de 6 bilhões de seres humanos. Destes, 33% não ouviram falar de Jesus. Por isso é importante que se lance mão da internet de maneira criativa para que se assuma as responsabilidades de nossa fé e ajudemos a Igreja a cumprir com sua missão.
No dia 1 de junho comemora-se o dia mundial das comunicações sociais com o tema: “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”. O papa Francisco convida a criar proximidade, união, solidariedade e encontro por meio das oportunidades que os meios de comunicação favorecem. A conquista da comunicação deve ser mais humana do que tecnológica. O convite do papa é que se abra as portas da Igreja no mundo digital para que o Evangelho cruze as paredes do templo e vá ao encontro de todos. Ele nos convida a refletir: “Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim?” As redes sociais e a internet de modo geral são lugares onde se pode viver a vocação missionária da Igreja, de redescobrir a beleza da fé e a beleza do encontro com Cristo. É preciso nos encantar por uma Igreja que consiga levar calor e inflamar o coração, “uma igreja companheira de estrada, que sabe pôr-se a caminho com todos.”
            O diálogo entre a Igreja e o mundo favorece que ela informe sobre o seu credo, explique as razões de sua fé e eduque catequeticamente melhor. A internet é, por isso, uma porta maravilhosa e fascinante, que usada de forma segura, sadia e verdadeira é capaz de promover um novo anúncio de Jesus, de tal maneira que cada vez mais, ouça-se falar do amor que Deus nos comunicou em Seu Filho, Jesus Cristo.
            Porém, a realidade virtual não substitui a presença real de Cristo na Eucaristia, a comunidade, os sacramentos, a liturgia, a proclamação imediata e direta do Evangelho. Mas, os novos meios de comunicação podem completar, atraindo as pessoas para uma experiência mais integral da fé e enriquecendo a vida religiosa e catecumenal.       



domingo, 3 de novembro de 2013

E, agora, jovem?!

Geraldo Trindade




            O ano de 2013 foi singular na vida da Igreja Católica no Brasil, pela escolha da juventude como sua prioridade. A CNBB escolheu como tema da Campanha da Fraternidade a juventude, o Rio de Janeiro sediou a Jornada Mundial da Juventude.  Transpareceu que a Igreja Católica quer respirar com os jovens, caminhar com eles, sonhar seus sonhos, lutar suas lutas...
            A peregrinação da cruz e do ícone de Nossa Senhora pelas comunidades em nosso país favoreceu com que a presença da Igreja, que tem com missão comunicar Cristo, estivesse junto às mais variadas realidades: educacionais, de sofrimento, exclusão, de trabalho, de oração, caminhada, reflexão, celebrações, adoração...
            A JMJ marcou vivamente a memória de todos os que lá estiveram ou acompanharam pelos meios de comunicação. Em torno do sucessor de Pedro, Francisco, que tem como missão confirmar na fé, os jovens puderam renovar seu compromisso com a humanidade e com Jesus Cristo, atendendo o Seu convite: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”.
            Muitos bons propósitos, planos, projetos e iniciativas surgiram a partir das vivências desses momentos e de inúmeros outros. Passado o tempo de empolgação inicial, é hora de verificarmos as chamas que ainda fumegam, de planos e iniciativas, que não estão apenas ancorados em nós mesmos, mas no fundamento, que é Cristo e no desejo de segui-Lo. Porém, a relação do jovem com a Igreja passa, necessariamente, pelos ministros sagrados, consagrados, passa pelas nossas paróquias, pastorais e movimentos. Será que todos esses agentes têm também se ocupado com os jovens? Estão eles comunicando e proporcionando uma experiência de Deus? A juventude tem sido prioridade pastoral em vários planos, mas tem se constituído em ação de oportunidade, escuta, participação dos jovens como força ativa em nossas comunidades?
            Não pode ser permitido aos jovens a apatia diante da fé, do projeto de Jesus Cristo, da vida social do nosso país e das realidades mais desafiadoras e excludentes! É preciso que os jovens saibam viver, buscando os mais altos valores, os projetos mais audaciosos, os sonhos mais preciosos... Viver é pouco se se não coloca razão no dia-a-dia da vida, dando sentido a partir de uma meta de vida. O que muda a história é o que, antes, muda o coração humano. Nada melhor do que deixarmos enquanto batizados, que seja Cristo capaz de nos encantar com sua vida, seus gestos e posturas. Não podemos considerar Jesus totalmente conhecido e apreendido por nossa razão e sentimentos, é sempre uma novidade que deve nos questionar e nos encantar.

            “ Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe mais alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho.  Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de ‘extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar’ (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo.” (Papa Francisco).

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pós JMJ: bote fé, bote amor, bote esperança!

Geraldo Trindade

Após a tão aguardada Jornada Mundial da Juventude no Rio trazemos no coração um novo ardor e uma fé mais viva e disposta a dar testemunho contra a corrente, aliás tão ressaltado pelo papa Francisco. Foram dias de muitas experiências ricas: a unidade na mesma fé, as orações em comuns, a Palavra de Deus refletida, a Eucaristia celebrada, a alegria de ser fiel discípulo do Senhor, que traz em si o desejo de partilhá-la com os demais, o respeito, a paz... A experiência de peregrinar, caminhar, seguir confiando não na mochila que os jovens traziam em suas costas, mas simplesmente confiando no Senhor. “Confia no Senhor e faze o bem, habita na terra e vive tranquilo” (Sl 37, 3).
            Sem sombras de dúvida a JMJ marcou positivamente a Igreja no Brasil e a evangelização da juventude. Os milhões de jovens no Rio e acompanhando pelos meios de comunicação se transformou em um dos mais belos testemunhos de fé que o mundo viu. De fato, como o próprio papa lembrou: são os jovens seus herois porque expressam o rosto jovem de Cristo. Os jovens exortados pelo Papa Francisco foram convidados a acrescentarem três elementos em suas vidas: fé, amor e esperança.
            É preciso que a cruz plantada no coração de cada católico o faça ser campo aberto, onde haja receptividade para Cristo e sua Palavra. É preciso que se deixe envolver-se e dar-se por Jesus Cristo. O jovem é marcado por grandes ideais, que apostam alto, que querem escolhas definitivas que garantam sentido às suas vidas. E é exatamente estes grandes desejos que encontram em Cristo e em sua Igreja a resposta necessária.
De fato, podemos ter a certeza que a Nova Evangelização empreendida a partir do Beato João Paulo II tem nas jornadas um dos momentos altos, pois elas despertam para a sensibilidade da fé, tira-nos do comodismo para nos lançarmos ao Mistério, que é Deus, ao outro, que é meu irmão.
As jornadas são o sinal de que a Igreja está próxima, ama, cuida e acaricia os seus fieis. Em um tempo tão marcado pela violência, pelo individualismo, consumismo, corrupção, esvaziamento, depressão; os jovens gritaram no silêncio orante de Copacabana que vale a pena trazer no peito a cruz de Cristo, que vale a pena ter fé e experimentar a proximidade com Cristo. É possível ter fé e dialogar com o mundo. São jovens no mundo, que contra a corrente, na mais variadas vezes, afirmam seu amor a Deus sem perder a alegria e a ternura, tão bem expressados nos cantos, nos sorrisos, nos abraços e nos apertos de mão. Aliás, tais gestos foram a marca da passagem do papa Francisco pelo Brasil – fé e esperança de que vale a pena crer. “Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem, sim; mas não nasce da vontade de domínio, da vontade de poder. Nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e não nos deu somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, Ele deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como pessoas livres, como amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor” (Papa Francisco).

domingo, 14 de julho de 2013

Testemunhar o Cristo Ressuscitado e sua misericórdia: compromisso dos jovens

  


Geraldo Trindade

Estamos às portas da Jornada Mundial da Juventude! Muitas são as expectativas! Os olhos dos fieis católicos do mundo estão voltados para este evento e não nos enganemos, aqueles que não são católicos também estão atentos e se questionando o por quê uma instituição milenar como a Igreja Católica optou sua ação evangelizadora tendo como prioridade a juventude.  Reside no mistério da Igreja o mistério de Cristo, que morreu e ressuscitou pela humanidade. Esta verdade sempre faz a Igreja sempre nova e a cada dia ela se coloca diante do seu Senhor, Cristo, para buscar nEle a inspiração de sua ação. Optar pelos jovens é optar, hoje, por uma vida de sentido, de felicidade, de desejo de grandes verdades, de sonhos elevados...
Não se concebe uma Igreja Católica que não seja toda ela, por meio de cada batizado, missionária. Isso não é questão de simples generosidade, mas de fé generosa (Mt 5, 15-16); pois Cristo não é conhecido por aqueles que diariamente nos rodeiam.
            Ora, bem se sabe que não basta ouvir falar de Cristo, que o Seu nome tenha chegado aos ouvidos ou que se saiba que Seu nome está entre os grandes homens da história. Isso é pouco, muito pouco para que Ele seja realmente encontrado. É preciso que sua realidade misteriosa tenha sido experimentada como realidade única e decisiva na vida de cada um.
A JMJ é por isso uma grande oportunidade missionária,  pois o tema escolhido pelo Papa emérito, Bento XVI, foi: “Ide e fazei discípulos entre todas as  nações” (Mt 28,19).  Este tema vem de uma longa caminhada que teve seu auge na Conferência de Aparecida, quando os bispos da América Latina e Caribe provocaram a criação uma “cultura missionária”, isto é, cada batizado e batizada é discípulo de Cristo, mas é também missionário dEle e deve-se deixar ser tomado por esta Verdade e anunciá-La sempre e constantemente.  A convocação do tema da Jornada Mundial remete à ordem do Senhor a seus Apóstolos e coloca a Jornada dentro da perspectiva de uma Igreja em estado permanente de missão.
A missão que recebemos como Igreja, como jovens, é a de  anunciar a presença de Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado entre  nós. Essa tarefa missionária é assumida especialmente nos dias da  Semana Missionária da Jornada Mundial. Todos os jovens e todas as comunidades, junto com jovens peregrinos de outros países, estarão  unidos no mesmo compromisso, testemunhar a grandeza do Evangelho.
 A Jornada Mundial da Juventude não é apenas um evento isolado. Na verdade, é uma grande oportunidade para optar pelos jovens, ao mesmo  tempo em que se concebe uma Igreja que coloca os jovens, em suas pastorais e movimentos como cruciais em sua vida e ação.

É tempo novo! A JMJ se aproxima! Com palavras novas, jeito novo, ousadia nova, caminhos novos, é preciso que se queira proclamar a vida de Jesus Cristo e o reino por Ele anunciado.Testemunhar o Cristo Ressuscitado e sua misericórdia é nossa missão e compromisso de batizados.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Que mistério envolve a Jornada Mundial da Juventude?

Geraldo Trindade
         


Após os dias 23 a 28 de julho quando acontecerá no Rio de Janeiro a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o Brasil já não será mais o mesmo. Reunirá milhões de jovens católicos do mundo e a vinda do papa Francisco deixarão um rastro novo, de esperança e de fé no coração de todos os católicos. A Jornada não será um evento pontual, muito pelo contrário, ela será capaz de renovar a Igreja, pois pretende dar um novo fôlego na fé de todos aqueles que creem.
            A JMJ foi criada em 1985 pelo papa João Paulo II. Desde então, várias cidades pelo mundo tem acolhido a multidão de jovens para se encontrar com o Papa, mais ainda, encontrar-se com o próprio Cristo por meio da peregrinação, da oração, da reflexão, da escuta da Palavra e da celebração da Eucaristia. Os jovens buscam ter um encontro verdadeiro com Cristo na cruz, pois ela é o sim de Deus ao homem, é expressão de total amor dEle por cada um de nós.
            Sabemos muito bem que o tempo da juventude é marcado pela característica de buscar grandes aspirações. Quer-se uma vida grande e bela, mas não se sabe onde e como edificar suas vidas. Ao vermos tantos jovens que têm a fé como alicerces para suas vidas, questionamos: o que exatamente esses jovens procuram? O que os fazem sair de suas casas, de seus países, privarem-se de comodidade, fazerem tantos sacrifícios? O que, de fato, envolve a JMJ?
            Há o clima de viagem, o encontro com diversos jovens, oportunidade de conhecer outros lugares, culturas... Mas, na verdade a Jornada é um kairós na vida dos jovens e da Igreja. O novo, o grande e o sentido da vida que todos almejam, as aspirações,  sonhos e desejos só se tornam plenos e concretos quando estão enraizados n’Aquele que pode nos dar a vida em plenitude. Para alcançarmos esse fim é preciso da fé viva, da caridade capaz de ser solidários com os mais sofredores e da esperança em Cristo que jamais nos deixa desanimar frente aos problemas da vida.
            O encontro com o Papa propiciará a renovação de nossa fé em Cristo ressuscitado que quer dar esta vida nova e grande que desejamos viver. Por isso única é a voz dos jovens, dos padres, bispos e do papa no anúncio de uma Igreja viva, do desejo de querer seguir a Jesus e crescer na fé. “Permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho. Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem.” (Papa Francisco). Assim, os jovens, fortemente enraizados em Cristo, são capazes de mostrar ao mundo uma Igreja bela e renovada. Torcemos para que muitos outros jovens se comprometam com a Igreja e renovem profundamente a Igreja de Cristo, as paróquias, os grupos de jovens a fim de que se construa hoje a civilização do amor.
            O encontro com Cristo é fonte de verdadeira alegria e felicidade. Em um tempo e sociedade onde o nada é o grande hóspede do coração jovem é preciso mostrar que temos fé e que não cremos sozinhos, que como Igreja formamos uma comunidade que busca imitar Jesus e viver o Evangelho. A grande verdade a ser proclamada na JMJ é: DEUS É AMOR.

            Sem sombra de dúvida, a JMJ no Brasil contribuirá para a formação de novas gerações católicas. Além do mais propiciará um novo olhar sobre a juventude, percebendo nela um papel ativo e comprometido. Não podemos deixar que o o testemunho de fé dos jovens morra após a jornada! Rumo à JMJ, perseverantes em nossa fé!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O que o Papa Francisco vem fazer no Brasil?




Geraldo Trindade


            Por que o Papa Francisco vem ao Brasil? O que este homem tem a nos falar?
            Ele vinrá ao país em 2013 para participar da 18ª Jornada Mundial da Juventude.
            Não é com pouco pesar que vemos o egoísmo imperando, as famílias se desfragmentando, o ódio entre segmentos sociais se acirrando, a ausência de amor, de alegria, de esperança se instalando. O trabalho digno é privilégio de alguns, o desemprego ainda marca profundamente nossa realidade, as drogas invadem os lares, a violência ceifa vidas, a depressão atinge milhares de homens e mulheres...
            Apesar de tudo isso, nada impede os jovens de sonharem. É próprio deles desejarem algo mais do que o cotidiano da vida. O jovem é o ser do novo, da relação interpessoal vivida na verdade e na solidariedade, da amizade autêntica, do verdadeiro amor, do futuro sereno e feliz... Perguntam-se qual o sentido da vida, buscam porto seguro para reabastecer a força e zarpar em busca de seus ímpetos mais sublimes e generosos.
            Vivendo nesta realidade, a figura do papa representa que há uma alternativa onde se possa encontrar, na vastidão e na beleza da vida, uma segurança e um sentido. Francisco vem para reafirmar que tudo o mais é insuficiente quando se descobre que o nosso desejo da vida é Aquele que nos criou. Ele deixou sua marca indelével em nós, por isso aspiramos o amor, a alegria e a paz.
            A vinda do papa nos deixará um imenso legado espiritual. Será uma oportunidade ímpar de se ver o rosto da juventude católica, de renovar e solidificar a todos na fé e no amor à Igreja. É a certeza de que vale a pena acreditar em Deus, de dar a sua vida em favor dos outros.
            Trazemos dentro de cada um de nós inúmeras questões e dúvidas. Procuramos resposta e não pararemos de buscá-las, mas trazemos a certeza de que só será possível encontrá-las por meio de Jesus Cristo, Aquele a quem o papa, figura de Pedro, insiste que confiemos. “O Rei que seguimos e nos acompanha, é muito especial: é um Rei que ama até à cruz e nos ensina a servir, a amar. E vós não tendes vergonha da sua Cruz; antes, abraçai-a, porque compreendestes que é no dom de si,  no sair de si mesmo, que se alcança a verdadeira alegria e que com o amor de Deus Ele venceu o mal. Vós levais a Cruz peregrina por todos os continentes, pelas estradas do mundo. Levai-la, correspondendo ao convite de Jesus: ‘Ide e fazei discípulos entre as nações’ (cf. Mt 28, 19), que é o tema da Jornada da Juventude deste ano.” (Papa Francisco)
            Rumo à Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, certos de que os jovens respondem com prontidão quando é proposto com fé com sinceridade e verdade o encontro com Cristo, fundamento da nossa fé. Incentiva Francisco aos jovens: “devem dizer ao mundo: é bom seguir Jesus; é bom andar com Jesus; é boa a mensagem de Jesus; é bom sair de nós mesmos para levar Jesus às periferias do mundo e da existência. Três palavras: alegria, cruz, jovens.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Os jovens e um novo Pentecostes


Geraldo Trindade
Bacharel em filosofia e cursa teologia 


O maior país católico está prestes a vivenciar um momento ímpar no processo de evangelização. A Jornada Mundial da Juventude convocada por Bento XVI para o Brasil em julho com o tema “Ide e fazei discípulo entre todas as nações” (Mt 28,19) entrará na história por ser uma jornada de dois papas e ainda mais porque será presidida pelo papa Francisco, o 1º papa latino-americano.

            A Jornada quer ser um novo Pentecostes na vida de inúmeros jovens e católicos. O Espírito Santo em ação infinita nos corações cansados e feridos, quer dar um novo impulso e ânimo na fé.
            O Brasil é inegavelmente de raiz cristã-católica; mas isso não o blinda das problemáticas da pós-modernidade. Avança avassaladoramente a secularização na concepção de uma vida sem Deus, na qual o homem se absolutiza e passa a querer construir a si mesmo sem o referencial do Absolutamente Outro, Deus. O progresso, em especial nos meios de comunicação social e as distâncias geográficas quase chegam a ser anuladas. Porém tais avanços não foram capazes de gerar e fortalecer valores como compreensão e comunhão. Tais valores quando existentes são marcados pela superficialidade e acabam gerando conflitos entre as gerações e entre as pessoas.


            Assustadoramente assistimos, quase cotidianamente, conflitos e agressões, onde transparece a mentalidade de que compreender o outro é passado e difícil demais, pois cada um quer que seu eu e interesses sejam prevalecidos. Outro fator, que é o progresso da ciência e da técnica quer ter o intuito do domínio absoluto do corpo humano e das forças da natureza.


            É diante desde mundo que a Igreja Católica lança o convite a todos os jovens a serem testemunhas do Absoluto, a perseguirem valores que engrandeçam o coração cansado, a doarem-se por um projeto de vida elevado, que só Jesus Cristo é capaz de dar, por meio da vivência do amor, do perdão, da caridade e da solidariedade. O grande convite é viver hoje a realidade histórica da presença do Espírito Santo sobre nós.
            Pentecostes foi a vinda do Espírito Santo, de modo visível e palpável sobre os apóstolos e a Igreja em Jerusalém. Sob a forma de um vento forte, o Espírito impeliu a Igreja que nascia a trilhar seu caminho na história. Como fogo veio iluminar as mentes e inflamar de amor os corações temerosos dos apóstolos. Com ousadia e coragem saíram anunciando a novidade do Evangelho, não encontrando barreiras geográficas e linguísticas.
            A ação do Espírito Santo não está presa ao passado da Igreja, mas se prolonga e se perpetua no tempo, aqui e agora. Ele quer a cada dia renovar a Igreja e o mundo, além de toda e qualquer fronteira. Ele quer conduzir homens, mulheres, jovens e crianças de hoje em vista de um mundo novo.

            E eis que vem um simpático senhor, pai do mundo todo, o Papa Francisco convidando a abrir a porta da nossa vida à novidade de Deus: “Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos. Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a ação contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá.” Ele une suas palavras ao desejo do papa Bento XVI de verem todos os jovens a serem santos-missionários, testemunhas apaixonadas de Cristo e evangelizando no meio de uma sociedade que quer esconder Deus dos olhos apaixonados de inúmeras pessoas que guardam a fé e a cultivam.

            Os jovens de fé de cada uma de nossas comunidades são chamados pelo Papa, pela Igreja e por Cristo a darem testemunho de fé, a edificar uma nova civilização de vida, de amor e de verdade. Nesta grande empreitada o Espírito Santo quer mais nos transformar e renovar. Infelizmente nem sempre abrimos o nosso coração à sua novidade, sabedoria e força. Ele tem pressa, quer agir e só depende de nós.
            Com espírito novo e renovado somos convidados a agir como cristãos, não nos fechando em nosso próprio eu, mas orientando-nos ao outro por Cristo; ou seja, acolher em nossa vida, atos e palavras toda a Igreja e deixarmos que ela nos acolha e nos oriente. Quando o discípulo-missionário de Cristo, o batizado, fala, pensa, age; ele o faz pensando na humanidade que necessita do seu testemunho de viver como Cristo, inspirado pelo Espírito Santo segundo o desígnio do Pai.

sábado, 27 de abril de 2013

Violência e redução da maioridade penal, temas sociais



Geraldo Trindade
 bacharel em filosofia, cursa teologia no Seminário Arquidiocesano de Mariana

          




  Somos bombardeados pelos meios de comunicação, internet, jornais e telejornais, que, variavelmente, assusta-nos com notícias de violência e banalização da vida. Mata-se por qualquer motivo como se o aniquilamento do outro fosse a solução para todos os problemas e divergências.
            Em meio a ondas de violências e assassinatos, muitas vozes se levantam para reduzir a criminalidade e uma das soluções apresentadas é a redução da maioridade penal.           Da década de 90 para os dias de hoje, a violência foi crescendo gradativamente e se tornando um problema social. O Instituto Sagaris em 2012 elaborou um Mapa da Violência que destacou entre o ano de 1980 e 2010 um aumento de 259% de assassinatos no Brasil. No último ano da pesquisa houve quase 50 mil assassinatos. A taxa de homicídios atingiu 26,2/100 mil habitantes. Esse número, assustadoramente, supera países em guerra e em conflitos.
            As causas para o aumento da violência no Brasil, que é conhecido pela ausência de conflitos étnicos, raciais e religiosas, são várias e envolvem questões de ordem econômica, social, política, demográfica e cultural.
            A criminalidade e a violência estão associadas a pobreza e a desigualdade social. A redução do índice de pobreza não tem vindo acompanhado da redução da criminalidade, pois em comunidades carentes muitas pessoas, jovens e crianças, continuam sendo aliciadas e têm no crime uma opção de ascensão social e status. O sistema penitenciário não garante a nenhum condenado judicialmente a recuperação sócio-educativa e muitas vezes funciona como espaço de “aprendizado e aperfeiçoamento” nas organizações criminosas. Além do mais, há no imaginário popular a certeza de que a impunidade é mais eficiente do que a justiça.
            Une-se a isso a falta de planejamento urbano e o avanço avassalador das drogas; que fez com que a criminalidade migrasse dos grandes centros para as cidades do interior. O faturamento do tráfico das drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo, segundo algumas informações, é de 700 milhões de reais/ano. O tráfico, além de alimentar o vício de milhares de pessoas, gera e mantém uma cadeia atroz de violência, incluindo o mercado de armas ilícitas. Dessa forma, o consumo de drogas deixa de ser uma opção pessoal e isolada, passa a ter reflexos sociais, trazendo fartas consequências sobre a vida de inúmeras pessoas.
            As políticas públicas falham, em muitas vezes, na prevenção, em termos de educação, moradia e emprego. Onde o estado não provê o direito do cidadão, o crime organizado e a criminalidade tomam espaço. É preciso introduzir em termos educacionais temas como cidadania, ética, educação para o trânsito, relações interpessoais, educar para uma consciência de solidariedade e valorização da vida, com a participação efetiva das famílias e da comunidade.  O  “educação para todos” tem tido grande avanços em termos de agregação e público atingido, porém também cresce e se perpetua o analfabetismo funcional, que é quando o estudante chega ao ensino médio sem os mínimos conhecimentos em aptidões básicas de leitura e interpretação. Mesmo assim, quase 3 milhões de crianças não tem acesso a um sistema de ensino regular
            É preciso, caso queira estancar o mal da violência, educar para a paz por meio de princípios morais e éticos que sejam capazes de nortear definitivamente  a vida, gerando e formando homens e mulheres imbuídos de espírito de cooperação mútua; ao contrário da competição egoísta propagandeada pela sociedade atual.
            Assim, toda evolução tecnológica e de acesso às facilidades da modernidade vem acompanhada de uma ascensão de consciência por meio de referenciais éticos na família, na sociedade, na política, nos meios de comunicação (tv, rádio, internet), nos esportes, nas escolas, nos trabalhos...
            A redução da maioridade penal que se ventila ser aprovada no legislativo brasileiro não é a solução para o problema da violência, que é somente a ponta do iceberg. Todos os problemas citados não são do desconhecimento da sociedade, mas que não exige mudanças; ao contrário, tolera e aceita. Quando acontece crimes em que estão envolvidos menores, imediatamente dá o grito e cobra, exigindo punição e castigo.
            A proposta de redução da maioridade penal vem para encobrir as fissuras existentes na eficiência do poder público na execução das políticas sociais direcionadas às crianças, adolescentes, jovens e famílias.
            Alguns mitos devem ser dissolvidos para que o projeto de redução da maioridade não se torne uma bandeira abraçada por desconhecimento. Não se pode culpar os adolescentes pelo alto índice de violência no país, pois eles são tão vítima dessa atrocidade quanto as pessoas de outras faixas etárias. O Brasil foi classificado no Mapa da Violência contra os jovens de 2011 entre os 4 países com maior índice de violência; são 44,2 casos em 100 mil jovens de 15 a 19 anos.
            Esse apelo pela redução da maioridade vem como fruto emocional das notícias sobre crimes bárbaros cometidos por jovens. Mas, não se pode generalizar esses crimes a todos os jovens e nem acreditar que somente leis mais rígidas serão capazes de reduzir ou resolver o problema da violência. Também não se pode cultivar um espírito de desconfiança em relação aos adolescentes. Não se pode anulá-los como se fossem estorvos, mesmo com seus problemas e conflitos; eles consistem em parceiros para a construção de uma sociedade melhor.
Além do mais, todo ser humano tem a facilidade de sempre encontrar culpa no outro e uma séria dificuldade de olhar para si mesmo e enxergar sua própria culpa. Generalizando e criando o imaginário de que a criminalidade é culpa de adolescentes e jovens leva ao esquecimento do egoísmo individual, da falta de solidariedade, da indiferença social em que muitos vivem, do consumismo e ostentação desenfreada. Tudo isso gera uma absurda desigualdade social e contribui para deixar os jovens desamparados e perdidos quanto ao presente, ao futuro e aos valores. Outro fator é que hoje há um grande cultivo do ódio, da vingança enquanto não se valoriza tanto aspectos da vida como o amor e o perdão.
Em suma, reduzir a idade penal não aponta e nem garante um futuro de mais respeito aos direitos do cidadão, pois negar direitos aos adolescentes e jovens de terem assistência de qualidade e eficiente do estado não gera nenhuma outro direito. Nenhuma sociedade que prima pela punição gera paz, muito pelo contrário, acaba gerando mais violência.

domingo, 10 de março de 2013

Jovem bem orientado não é manipulado!


Geraldo Trindade



            A Campanha da Fraternidade neste ano coloca a sociedade, o governo e a Igreja em sinal vermelho. O que estas três esferas têm oferecido aos jovens?
            Os jovens passam por uma crise de sentido, de certezas. O que tem sido feito para orientá-los?
            Cada vez mais se estabelece relações entre as pessoas a partir do interesse, da indiferença e do utilitarismo. O que tem sido feito para educar as novas gerações de gratuidade?
            A publicidade e o mercado criam realidades ilusórias, necessidades que provocam o descontrole do consumismo em crianças, jovens e adultos. O que se tem feito para criar a consciência de um consumo sadio e consciente?
            O avanço tecnológico vai garantido maior acesso a internet, aos meios de comunicação e redes sociais. O que se tem dialogado com as crianças, adolescentes e jovens sobre o uso correto desses meios?
            Infelizmente, aos poucos vai se perdendo os parâmetros do que é bom e mal, correto e errado.
            Muitos jovens perdem o sentido da vida, estão ausentes a dimensão do futuro e da esperança. Assustadoramente, cada vez mais jovens se perdem no álcool, nas drogas e no extermínio de sua própria vida. São eles também, os jovens, vítimas de assassinatos.
            O limite, o “não” parece inexistir, pois é tomado como limitação da liberdade e por isso mesmo corre-se o risco com a formação de gerações que desconhecem  limites e o respeito aos outros.
            Não basta a indicação dos riscos pelos quais enfrentam a juventude. Jovem bem orientado não é manipulado, pois é capaz de assumir suas decisões com determinação. É capaz de se colocar diante do mundo, de suas solicitações com uma nova postura: não se deixar levar somente pelo que está na moda e na “boca da galera”. Sabe utilizar as redes sociais com discernimento e limite. Vê na família o porto seguro, o lugar do aconchego, do carinho e da formação de valores.
            O jovem sabe que sua vida está interligada ao destino das outras pessoas e ao futuro da humanidade. Sabe que a fé em Deus e a sua participação na Igreja são tesouros preciosos, do qual não se pode abrir mão.
            “A Igreja olha para os jovens com esperança”. (Bento XVI). Além de serem esperança, os jovens são heróis dos tempos pós-modernos; capazes de superarem as injustiças e corrupção, de serem fermentos em meio aos idealismos, de defenderem o bem comum, de promoverem o diálogo e o encontro, de serem autênticos e participativos, de preservarem e cultivarem a fé, o amor a Deus e ao próximo... Cada dia mais os jovens são convocados a serem protagonistas de uma sociedade mais justa, fraterna, inspirada no Evangelho: a CIVILIZAÇÃO DO AMOR. Fica o conselho de um pai espiritual aos jovens: “Permiti que o mistério de Cristo ilumine toda a vossa pessoa! Então, podereis levar aos vários ambientes aquela novidade que pode mudar relacionamentos, as instituições e as estruturas, para edificar um mundo mais justo e solidário, animado pela busca do bem comum. Não cedais a lógicas individualistas e egoístas! Que vos conforte o testemunho de muitos jovens que alcançaram a meta da santidade.” (Bento XVI)