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sábado, 5 de março de 2016

Qual deve ser a atitude de um cristão?

Geraldo Trindade 

            Muito se fala, discute e escreve sobre a situação brasileira. Na verdade, sobre o caos que impera sobre todos nós e um precipício se apresenta à nossa frente!
            Vivemos ou pior, experimentamos na pele a catástrofe econômica, onde cada dia mais as famílias perdem seu poder aquisitivo. Além disso, temos uma crise política onde os representantes, que deveriam liderar e trabalhar para o bem comum se esbaldam em negociatas e puro desprezo pelo bem público. O que vemos é uma maquina público-administrativa que é incapaz de garantir bom serviço nos setores da saúde, educação, segurança, transporte públicos, água e energia elétrica. Não se pode culpabilizar a falta de um orçamento que garanta melhorias no serviço público porque a sensação que se tem é que  os recursos não são escassos quando se trata de transferências do dinheiro público para as contas pessoais, gerando a enojada corrupção, tão conhecida e praticada descaradamente à revelia do bem do povo.
            Parece que os valores estão invertidos, que nada mais caminha como deveria caminhar. Vemos os bons estagnados enquanto os desonestos buscam seus “jeitinhos” para tirar vantagens que envergonham qualquer pessoa de caráter!
            Ainda há muitos problemas que não têm acesso à educação de qualidade, recebem baixos salários e têm dificuldade em desfrutar de serviços básicos oferecidos pelo Estado, como educação, transporte público e saneamento básico. As drogas cada dia mais ingressam nos variados ambientes e disseminam um rastro de morte e violência pelas cidades e famílias.
           Qual deve ser a atitude de um cristão? De que modo se pode influenciar em um mundo tão cheio de mal, corrupção e violência? 
            Jesus usa duas imagens: sal e luz (Mt 5, 13-16).
            O sal é que dá sabor, dá tempero àquilo que está insosso; evita que se perca o alimento, além do sal estar associado à pureza. Dessa forma, o cristão deve dar novo sabor ao ambiente que lhe cerca, evitando que o mal progrida e avance na vida e no coração. Não se deixando apodrecer pelas consequências do pecado. Jesus em outra passagem nos alerta: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).
            A luz é um símbolo muito especial nas Sagradas Escrituras. “Deus é luz e nele não há treva alguma” (1 Jo 1, 5). “O povo que andava em trevas viu grande luz” (Is 9, 1). Jesus se referia a ele como luz: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8, 12). Os seus discípulos, os que permanecem junto a Ele também são luz. Por meio deles a luz de Cristo se manifesta em cada rosto, nas palavras, nas ações, e ilumina o mundo. A luz elimina as trevas como também as boas obras eliminam cada dia mais o mal da nossa vida, ou seja, no testemunho diário deve-se proclamar o modo de Jesus agir. Dessa forma, as boas obras praticadas não devem chamar atenção para quem a pratica, mas para Deus.
            A missão do cristão é dupla no mundo: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar este processo da corrupção moral e espiritual, e como luz, para desfazer as trevas. Recorda-nos o papa Francisco: “Não se pode entender um cristão que não seja testemunha. Nós não somos uma ‘religião’ de ideias, de pura teologia, de coisas belas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e oferece testemunho”.




domingo, 16 de agosto de 2015

O dominó da desmoralização

                                                                                                                  Iury Nascimento*

É agravante a decadência moral da sociedade pela falta de consciência de muitos cidadãos, governantes e governados. Tudo está sendo reduzido a nada, o homem está deixando de ser aquilo que é pra se tornar coisa; é um verdadeiro dominó desmoralizante. A sociedade está perdendo a capacidade de distinguir o bem e o mal, ou não quer nem distinguir para satisfazer a seus próprios instintos.

Estamos no estágio de desumanização, um mundo que pisoteia a sua própria consciência negando a sua própria humanidade. “Será inócuo encher as páginas de leis e as prateleiras de códigos, como também será inócuo encher as ruas de policiais, enquanto a humanidade na for chamada a respeitar a própria consciência.” [1]. É isso que acontece, quando o homem exclui a própria lei da consciência. Ele fica cego, desorientado, causando uma grande desordem moral.

É o que vemos na sociedade (e no mundo), governos querendo legalizar o assassinato de seres humanos inocentes, abrindo as portas para o “casamento” de pessoas do mesmo sexo, a destruição do conceito de homem e mulher com a Ideologia de Gênero; a venda de fetos assassinados cruelmente. É o homem destruindo a sua própria humanidade, levando a sociedade a perder aos poucos sua alma e sua esperança.

“A maior crise da sociedade é a da consciência. Rouba-se, mata-se, corrompe-se, tapeia-se, prostitui-se, engana-se... como se as consciências estivessem mortas, e como se Deus não existisse.” [2] Precisamos dar um salto moral, começando pelas famílias, hoje tão atacadas por tantas ideologias que tentam desmontar a célula motriz da sociedade. Os pais precisam se conscientizar e fazer alguma coisa para que a educação dos seus filhos, não seja regida primeiramente pelo Estado; são os pais os primeiros educadores de seus filhos.
A escola hoje está se tornando, ou melhor, já é um lugar que ao invés de educar os nossos filhos para o bom caráter, está destruindo a moral dos futuros cidadãos. Os nossos filhos estão sujeitos às más influências do Estado. O silêncio aqui não adianta, ou tomamos uma posição frente ao que está acontecendo ou seremos engolidos e esfacelados por essa decadência moral. Somos homens e mulheres com consciência e sabemos o que é errado e o que é certo, porém se não lutamos pelo bem moral, o mal aos poucos vai obscurecendo o que é bom.

Dizia um filósofo existencialista cristão, chamado Gabriel Marcel: “Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive.”. É isso que está acontecendo na sociedade em que estamos, acabamos pensando que o que estamos vivendo é normal; acabamos julgando normal abortar bebês, (homossexuais) pessoas do mesmo sexo se casarem, a venda de fetos abortados etc., e sufocamos a nossa consciência, às vezes reta e bem formada, pela qual sabemos que tudo isso, não é normal.

Tenhamos uma tomada de consciência à frente da sociedade, e lutemos para que ela seja consciente, justa e bem formada; que segue a razão, “de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador.”. [3]


* Iury Nascimento é leigo, pregador católico e ministra cursos de formação básica sobre temas católicos. Mantém o blog: http://evangelizarr.blogspot.com.br/

Referências
1. AQUINO, Felipe. A moral católica e os dez mandamentos. Lorena, Cléofas, 2010.
2. Idem.
3. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. § 1783.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Brasil na copa: vencedor ou derrotado?

Geraldo Trindade

  
As vitórias ressaltam nossas virtudes, potencialidades e capacidades. Mas, as derrotas constroem o caráter. É preciso aprender a se doar por inteiro, dar o que pode de melhor; mas saber lidar com o êxito e as frustrações. Se se tem um verdadeiro vitorioso não é porque ganha sempre, mas porque sabe lidar e seguir adiante em meio ao fracasso.
            O Brasil que sedia a Copa iniciou o mundial de forma tímida, com pequena empolgação dos brasileiros, que prefeririam investimentos em infra-estruturas do país a custear os gastos exorbitantes de um evento desta magnitude. Apesar disso, o jogo mais popular alcançou seu objetivo: uniu o país em torno de uma bola. Chegou mesmo a “endeusar” os convocados, que passaram a compor a seleção. No fundo do coração de cada brasileiro estava a esperança tímida, mas presente, de que o Brasil poderia acrescentar a sexta estrela.
            A sede pela taça e o orgulho brasileiro de que se é imbatível no futebol é presente em nosso país. A Alemanha paralisou os passos “tímidos” rumo ao hexa. Como lidar com essa derrota quando o país sedia a copa?
            Alguns aspectos devemos reconhecer: as derrotas existem e é preciso estar preparados para passar por elas. A diferença entre quem vence e quem perde é a capacidade de ter a dignidade de saber perder. A derrota neste momento pode e deve ser uma alavanca poderosa para buscar ser sempre o melhor, de doar-se por inteiro. A dignidade da derrota está em compreender e admirar o adversário. Os sentimentos ficam misturados: a raiva, a frustração, a impotência...
            Dois  textos bíblicos me chamam atenção: o pastor que tem cem ovelhas e perde uma, deixa as demais e vai ao encontro da que se perdeu (Lc 15, 4-6) e a da mulher que tinha dez moedas e perdeu uma. Procura, encontra e se alegra ( Lc 15, 8-9).
Em termos existenciais perguntamos: o que foi de mais importante perdemos em nossa vida? Todos já perdemos algo ou em alguma situação sentimo-nos vencidos. A questão não é o que perdemos em si, mas como lidamos com essas perdas. Temos possibilidade de percorrer dois caminhos: lamentar, culpar os outros e sofrer o resto da vida ou encarar o problema, tratar a questão com serenidade e aprender com ele.
            Tanto no campo quanto na vida as perdas são inevitáveis e não se pode ganhar sempre. As perdas acompanham a nossa existência: morte, separações... Aprender a perder é um exercício para aprender a ganhar. Como pessoas de fé não se pode perder o prazer de viver, as oportunidades, a dignidade, a fé e a esperança. Se preciso for é preciso ir às perdas da vida porque o que nos move  é a certeza de que somos mais que vitoriosos em Cristo. Resta-nos a pergunta: “Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1Jo 5,5).


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Refletindo a Campanha da Fraternidade 2014

Geraldo Trindade



Este ano a Igreja Católica no Brasil no tempo da Quaresma; que convida à conversão, oração e reflexão; desenvolverá a Campanha da Fraternidade, que trará como tema: Fraternidade e tráfico humano e o lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).
            Mais de 200 anos após o 13 de maio que extinguiu com a escravidão no Brasil, milhões de pessoas continuam sendo tratadas como mercadorias, passíveis de serem vendidas, compradas e exploradas.
            A ONU por meio do protocolo de Palermo (2003) define o tráfico de pessoas como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo-se à ameaça ou ao uso da força ou a outras formas de coração, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter consentimento de uma pessoa que tenha  autoridade sobre outra para fins de exploração”.
            As vítimas do tráfico humano são retiradas de seu ambiente, de seu país ou cidade e passa a ter sua mobilidade reduzida; pois são usadas para a exploração sexual ou de trabalho. Outros meios para o aliciamento das pessoas são as propostas de trabalho na agricultura, pecuária, comércio, construção civil ou oficinas de costura.
            A pessoa humana criada por Deus (Gn 1, 26-27), vista como fruto querido e amado da criação divina, deixa de ser sujeito capaz de liberdade e passa a ser tratada como objeto, um produto, uma mercadoria, que se vende, troca, transporta e explora. O tráfico humano e a exploração buscam privar a pessoa da sua dignidade, da sua liberdade e capacidade de orientar sua vida. O reconhecimento da filiação divina possibilita que, por Jesus cristo, todos são dignos de ter sua vida respeitada. Dessa forma, tudo o que vai contra a vida também vai contra o projeto do Reino de Deus, realidade onde “justiça e paz se abraçarão” (Sl 85,11), pois o Senhor é o Deus que liberta e salva os oprimidos, liberta das algemas da opressão; pois leva ao cumprimento pleno o plano salvífico de Deus (Lc 4, 14-21).
            No Brasil, mais de 25 mil pessoas prestam serviços presas em fazendas, garimpos e carvoarias. De 1995 a 2008 cerca de 33750 foram libertadas do trabalho escravo. Em 21 estados da federação já foram encontrados trabalhos escravos. No ano de 2000 foi desmantelada uma rede de tráfico humano para a venda de órgãos que ligava o Pernambuco e a África do Sul. Em 2004, o Ministério Público denunciou 28 pessoas por este crime. A comercialização de 30 órgãos movimentou 4, 5 milhões de dólares neste esquema criminoso. Há ainda o tráfico interno de pessoas no Brasil para o trabalho em situações ilegais e subumanas. O nosso país, infelizmente, é também importador de mão de obra dos países vizinhos, principalmente da Bolívia, do Peru, do Paraguai, do Haiti e da Colômbia.
            No âmbito internacional, das 2,5 milhões de pessoas traficadas, 43% são para a exploração sexual, 32% para a exploração econômica e 25% para os dois ao mesmo tempo.
            O tráfico humano está diretamente associado ao modelo de desenvolvimento presente na economia, pois a competitividade e o desejo de lucro pressiona para que se reduza os gastos do trabalho, a “flexibilizar” as leis trabalhistas para que o produto final chegue a um preço mais baixo e gere um consumo maior. Porém, tais mercadorias, que alimentam a sede de lucro vem da exploração escrava de homens, mulheres e crianças; que têm sua liberdade cerceada, seus planos e projetos desfeitos, seus laços afetivos relegados ao esquecimento.
            Esta Campanha da Fraternidade favorece-nos em gestos concretos claros e pertinentes:
- estar atento para perceber pessoas que aliciam outras para o trabalho e atividades que não respeitam as leis trabalhistas e denunciá-las;
- buscar em nossas relações trabalhistas pautar pela justiça e honestidade para com as leis trabalhistas e os direitos dos trabalhadores;
- dar prioridade à compra de mercadorias de lugares e regiões que não utilizem de mão de obra explorada desrespeitando os direitos dos trabalhadores;
- educar-se para a vida de liberdade, reconhecendo-se como filhos e filhas de Deus, criados em dignidade e amor.

            A fé cristã favorece que cada cristão se reconheça construtor de um mundo novo, onde o Evangelho encontre acolhida nas estruturas sociais e nos corações humanos; onde a Vida em plenitude seja a meta concreta de uma vida imersa em Cristo. Em Jesus somos plenamente livres, a Lei do Amor deve ser vivida plenamente, sem diferenciações, à ponto que se possa afirmar que “já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”(Gl 2,20); pois sabemos que o Amor nos criou e se entregou de forma plena e radical na cruz. Assim, ninguém tem a capacidade e o poder de inibir a liberdade do outro, pois “todos são filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo” (Gl 3, 26).

domingo, 1 de setembro de 2013

Conflito na Síria: “O uso da violência nunca gera paz”






Geraldo Trindade

Mais uma vez o mundo se encontra sobre o alarme de uma guerra com consequências inimagináveis! Mais uma vez a insanidade da guerra se sobrepõe ao valor do diálogo! Mais uma vez o apego ao poder e a ganância toma corações que deveriam estar dispostos em promover a paz e a concórdia entre as pessoas!
            A crise na Síria teve início em 2011. Tudo iniciou quando um grupo de 14 crianças escreveu em um muro na cidade de Daara um slogan relacionado às revoltas que ocorriam no Egito e na Tunísia. O povo sírio passou a pedir mais democracia e a resposta do presidente Assad foi a retaliação, quando forças nacionais abriram fogo contra a população desarmada que manifestava. Aos poucos, foram surgindo ações de oposição ao governo do presidente, que chegou a formar com partidos clandestinos e dissidentes o  Conselho Nacional Sírio, uma frente antigoverno. Um segundo grupo surgiu para se opor a ideologia islâmica deste Conselho, foi o Comitê de Coordenação Nacional. A luta armada é encabeçada por dissidentes do exército e se organizam com o nome de Exército Livre da Síria.
            Segundo a ONU mais de 100 mil pessoas foram mortos desde o início dos conflitos; outros afirmam que já ultrapassou os 200 mil. Estima-se que mais de 6 milhões necessitem de assistência humanitária e ultrapassa-se a cifra dos 2 milhões de refugiados. Em meio ao caos na Síria, serviços básicos como saúde, educação e alimentação já não acessíveis a grande parte da população. Além de tudo isso, afirma-se agora na comunidade internacional, o uso de armas químicas e premente uma intervenção internacional.
            A oposição a intervenção militar está embasada no princípio de que com a guerra não se ganha nada, muito pelo contrário, se perde tudo. Deve-se optar pela paz e pelo diálogo internacional para que o conflito encontre seu término. As grandes potências do mundo ou fecham os olhos para o sofrimento dos milhões de sírios, tratando-os com desprezo e fechando os ouvidos para os clamores que brotam das dores e perdas na Síria ou encontram a solução no desejo de fazer o governo de Assad pagar por todo mal e sofrimento impetrado na vida dos sírios.
            O som das bombas não pode se ser maior e sufocar o grito de quem sofre. O povo sírio já vive um inferno e não precisa de mais fogo neste abismo. Não se pode conceber que a guerra seja o caminho mais simples e mais fácil. Não é a cultura do atrito, do conflito, da violência que constrói a convivência entre pessoas e povos, mas o diálogo. É o único caminho para a paz. Trata-se de vidas, de histórias, de pessoas, que sofrem, que perdem vidas. Não são simples bonecos entre os interesses, nem sempre humanitários, dos países. É preciso que se acredite na paz, que se eleve de todos os cantos do mundo o clamor por ela. O papa Francisco foi enfático: “Nunca mais à guerra! A paz é um dom precioso demais; deve ser promovido e tutelado.” É preciso que o grito pela paz chegue a ser tão grandioso que todos os lados cheguem à sanidade da verdade e deponham as armas.
Em meio à onda de guerra, lembremos de quantos que não poderão ver a luz do futuro pelas ações impensadas! “O uso da violência nunca gera paz. Guerra chama guerra, violência chama violência!” – pede o papa Francisco: “Com toda a minha força, peço aos envolvidos neste conflito que ouçam as suas consciências, que não se fechem em seus interesses, mas vejam o próximo com seu irmão, que empreendam com coragem e decisão o caminho do encontro e das negociações superando cegas contraposições.”
Para que a paz seja a palavra definitiva em todo e qualquer conflito, Francisco convocou toda a Igreja a rezar no dia 7 de setembro para a paz na Síria, para a paz que é bem-aventurança que Cristo no convida a viver, para a paz que deve brotar do coração  de cada homem e mulher de boa vontade! Unamo-nos pela paz! Unamo-nos em favor uns dos outros! Unamo-nos em favor dos que mais sofrem! Unamo-nos por aqueles que se encontram desesperançosos!


sábado, 27 de abril de 2013

Violência e redução da maioridade penal, temas sociais



Geraldo Trindade
 bacharel em filosofia, cursa teologia no Seminário Arquidiocesano de Mariana

          




  Somos bombardeados pelos meios de comunicação, internet, jornais e telejornais, que, variavelmente, assusta-nos com notícias de violência e banalização da vida. Mata-se por qualquer motivo como se o aniquilamento do outro fosse a solução para todos os problemas e divergências.
            Em meio a ondas de violências e assassinatos, muitas vozes se levantam para reduzir a criminalidade e uma das soluções apresentadas é a redução da maioridade penal.           Da década de 90 para os dias de hoje, a violência foi crescendo gradativamente e se tornando um problema social. O Instituto Sagaris em 2012 elaborou um Mapa da Violência que destacou entre o ano de 1980 e 2010 um aumento de 259% de assassinatos no Brasil. No último ano da pesquisa houve quase 50 mil assassinatos. A taxa de homicídios atingiu 26,2/100 mil habitantes. Esse número, assustadoramente, supera países em guerra e em conflitos.
            As causas para o aumento da violência no Brasil, que é conhecido pela ausência de conflitos étnicos, raciais e religiosas, são várias e envolvem questões de ordem econômica, social, política, demográfica e cultural.
            A criminalidade e a violência estão associadas a pobreza e a desigualdade social. A redução do índice de pobreza não tem vindo acompanhado da redução da criminalidade, pois em comunidades carentes muitas pessoas, jovens e crianças, continuam sendo aliciadas e têm no crime uma opção de ascensão social e status. O sistema penitenciário não garante a nenhum condenado judicialmente a recuperação sócio-educativa e muitas vezes funciona como espaço de “aprendizado e aperfeiçoamento” nas organizações criminosas. Além do mais, há no imaginário popular a certeza de que a impunidade é mais eficiente do que a justiça.
            Une-se a isso a falta de planejamento urbano e o avanço avassalador das drogas; que fez com que a criminalidade migrasse dos grandes centros para as cidades do interior. O faturamento do tráfico das drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo, segundo algumas informações, é de 700 milhões de reais/ano. O tráfico, além de alimentar o vício de milhares de pessoas, gera e mantém uma cadeia atroz de violência, incluindo o mercado de armas ilícitas. Dessa forma, o consumo de drogas deixa de ser uma opção pessoal e isolada, passa a ter reflexos sociais, trazendo fartas consequências sobre a vida de inúmeras pessoas.
            As políticas públicas falham, em muitas vezes, na prevenção, em termos de educação, moradia e emprego. Onde o estado não provê o direito do cidadão, o crime organizado e a criminalidade tomam espaço. É preciso introduzir em termos educacionais temas como cidadania, ética, educação para o trânsito, relações interpessoais, educar para uma consciência de solidariedade e valorização da vida, com a participação efetiva das famílias e da comunidade.  O  “educação para todos” tem tido grande avanços em termos de agregação e público atingido, porém também cresce e se perpetua o analfabetismo funcional, que é quando o estudante chega ao ensino médio sem os mínimos conhecimentos em aptidões básicas de leitura e interpretação. Mesmo assim, quase 3 milhões de crianças não tem acesso a um sistema de ensino regular
            É preciso, caso queira estancar o mal da violência, educar para a paz por meio de princípios morais e éticos que sejam capazes de nortear definitivamente  a vida, gerando e formando homens e mulheres imbuídos de espírito de cooperação mútua; ao contrário da competição egoísta propagandeada pela sociedade atual.
            Assim, toda evolução tecnológica e de acesso às facilidades da modernidade vem acompanhada de uma ascensão de consciência por meio de referenciais éticos na família, na sociedade, na política, nos meios de comunicação (tv, rádio, internet), nos esportes, nas escolas, nos trabalhos...
            A redução da maioridade penal que se ventila ser aprovada no legislativo brasileiro não é a solução para o problema da violência, que é somente a ponta do iceberg. Todos os problemas citados não são do desconhecimento da sociedade, mas que não exige mudanças; ao contrário, tolera e aceita. Quando acontece crimes em que estão envolvidos menores, imediatamente dá o grito e cobra, exigindo punição e castigo.
            A proposta de redução da maioridade penal vem para encobrir as fissuras existentes na eficiência do poder público na execução das políticas sociais direcionadas às crianças, adolescentes, jovens e famílias.
            Alguns mitos devem ser dissolvidos para que o projeto de redução da maioridade não se torne uma bandeira abraçada por desconhecimento. Não se pode culpar os adolescentes pelo alto índice de violência no país, pois eles são tão vítima dessa atrocidade quanto as pessoas de outras faixas etárias. O Brasil foi classificado no Mapa da Violência contra os jovens de 2011 entre os 4 países com maior índice de violência; são 44,2 casos em 100 mil jovens de 15 a 19 anos.
            Esse apelo pela redução da maioridade vem como fruto emocional das notícias sobre crimes bárbaros cometidos por jovens. Mas, não se pode generalizar esses crimes a todos os jovens e nem acreditar que somente leis mais rígidas serão capazes de reduzir ou resolver o problema da violência. Também não se pode cultivar um espírito de desconfiança em relação aos adolescentes. Não se pode anulá-los como se fossem estorvos, mesmo com seus problemas e conflitos; eles consistem em parceiros para a construção de uma sociedade melhor.
Além do mais, todo ser humano tem a facilidade de sempre encontrar culpa no outro e uma séria dificuldade de olhar para si mesmo e enxergar sua própria culpa. Generalizando e criando o imaginário de que a criminalidade é culpa de adolescentes e jovens leva ao esquecimento do egoísmo individual, da falta de solidariedade, da indiferença social em que muitos vivem, do consumismo e ostentação desenfreada. Tudo isso gera uma absurda desigualdade social e contribui para deixar os jovens desamparados e perdidos quanto ao presente, ao futuro e aos valores. Outro fator é que hoje há um grande cultivo do ódio, da vingança enquanto não se valoriza tanto aspectos da vida como o amor e o perdão.
Em suma, reduzir a idade penal não aponta e nem garante um futuro de mais respeito aos direitos do cidadão, pois negar direitos aos adolescentes e jovens de terem assistência de qualidade e eficiente do estado não gera nenhuma outro direito. Nenhuma sociedade que prima pela punição gera paz, muito pelo contrário, acaba gerando mais violência.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Aborto, investida contra o valor da vida


Geraldo Trindade





O Brasil recebeu recentemente a notícia (21 de março) de que o Conselho Federal de Medicina (CFM) encaminhará ao Senado a sugestão de descriminalização de aborto até o 3º mês. Essa possibilidade de interrupção da gravidez (aborto) já é prevista pelo Código Penal para os casos de risco à saúde da gestante e quando a gravidez é fruto de um estupro. O CFM quer que esta prerrogativa de não penalidade se estenda a um âmbito somente individual: à vontade da mulher. Isto é, a vida que ela traz no ventre é parte do seu corpo e não constitui uma vida à parte, não carregada de possibilidades e potencialidades; mas esse feto é parte do corpo da mulher por isso ela pode dispor tranquilamente e como bem desejar.
Pergunto, se podemos dispor, manipular e anular a vida dessa forma? Esclarecedor também é o questionamento de Phil Bosmans, sacerdote e escritor belga. “Se uma pessoa já não está segura no seio da sua mãe, onde estará, então, ela ainda segura neste mundo?”
O respeito à vida foi e é sempre defendido pela Igreja Católica desde o nascimento até o seu fim natural. É o grande zelo que se deve ter para não deixar com que as interferências humanas, tecnológicas e até mesmo da dita saúde pública cheguem a ferir a vida, colocando-a em risco, selecionando os que vivem e os que morrem.
O aborto não pode ser visto como fim ou como meio para o bem estar da mulher sem ao menos considerar a vida que está ali no ventre. Se não se pode dispor livremente e de qualquer maneira da vida de uma pessoa que está em ato diante de nós, também não podemos dispor daquela pessoa que já está em potência, sendo gerada.
“Deus, com efeito, que é o Senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida para ser exercido de maneira condigna do homem. Por isso a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção.” (Gaudim et Spes, 51)
O tema da interrupção da gravidez (aborto) retoma a pauta de discussão por uma via diferente da do governo, pois a presidente Dilma Rousseff firmou compromisso durante a sua campanha eleitoral com os grupos religiosos de não adotar nenhuma medida para incentivar novas regras durante seu governo. Tanto que isso é verdade que a secretária de políticas para mulheres, Eleonora Menicucci, favorável ao aborto; manifestou que não importa a sua opinião pessoal, mas as opiniões e opções do governo.
O grande embate que conselhos, órgãos e governo que tendem a defender a legalização do aborto parte é da verdade de que o estado é laico. A Igreja Católica nunca negou essa verdade e este direito; porém isso não permite que se passe como trator sobre a consciência moral da população; mesmo que essa consciência esteja embasada a partir de fundamentos religiosos, da fé – tão sagrada ao ser humano como é a vida.
A vida é preciosa e deve ser cuidada porque ela não é produto humano, mas é fruto do amor de Deus que tudo cria. Essa certeza não pode ser aniquilada e colocada em mesa de negociação e de voto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Breves reflexões para o nosso tempo pós-moderno


Geraldo Trindade



A realidade que se descortina e é vivida por nós é fruto de sementes lançadas anteriormente. No caso do Brasil, uma cultura colonial, escravocrata, marcada pela exploração da natureza e por  práticas corruptas sempre houve uma cultura de manipulação e desrespeito. Há o triste traço marcante do cotidiano brasileiro: crianças sendo mortas, corrupção, balas perdidas, pessoas mendigando, milhões em sonegação... Viver está esquisito? Muitos estão se portando acima do bem e do mal como se fossem donos do mundo.
Dinheiro, poder, beleza, nada disso desabsolutiza a finitude da vida. A ciência nunca vai inventar um elixir que ressuscite o corpo morto. A busca desenfreada pelo dinheiro se revela em atitudes corruptas, antiéticas e de esperteza. Estabelecem-se paralelos entre eu e o outro, em uma crise comparativa do valor pecuniário e posição social. Desejar o que é do outro tornou-se mania, que destila veneno na alma.
A dita inveja, de tão cruel e perigosa aplaude as injustiças em detrimento da justiça, de valorização daqueles que, mesmo com caráter duvidoso chegam aos altos postos.
A pactuação com o jogo sujo, de certa forma vai matando a esperança dos brasileiros. Vive-se à espera de um futuro em meio à deslealdade e valores supérfluos. Faz tempo que a realidade imita os enredos novelísticos, que invadem as casas e impõem condutas, pensamentos e valores nem sempre éticos modificando os mais puros desejos e sentimentos. Cada vez mais, a sociedade vai se tornando apaixonada pelo virtual, banal e frívolo.
Aqueles que pautam suas vidas pela virtualidade dos meios de comunicação, não assimilaram que desapontamentos e sofrimentos fazem parte de suas vidas. Imitam de tal forma a ficção, que estão em constante atitude de revanche e vingança quando se sentem desfavorecidos e ameaçados. Cultua-se o rancor entre os adultos e entre as crianças. A autodefesa é conceito de valor repassado às crianças, confundindo agressividade com instinto de autopreservação.
Muitos sonham com o amor, com a amizade, com a família e com o afeto, mas o moderníssimo mundo é frio, congelante e distante. Nada é mais cruel do que a convivência desleal e marcada pela desconfiança. Como é bom relaxar e desarmar o coração! Amar aqueles que merecem o amor; amar sem esperar recompensas! Tal atitude perdeu sua presença ativa porque a tendência é relativizar as relações e absolutizar a compra e a venda. Quer-se projetar nas relações o que ocorre na lei de mercado.
 As relações intersubjetivas exigem, fundamentalmente, autenticidade. Nesse processo, as manipulações e falsidades não têm lugar. A relação sadia é elixir para alcançar a alegria verdadeira. Os pais já não têm tempo de educar seus filhos e cobiçam os bens de seus vizinhos e conhecidos. Esquecem-se de que quanto mais pautam suas vidas pelo consumo mais se tornam inseguros. Acreditam ser mais felizes não com o que têm, mas sonham com o que é do outro. Olvidam que o sentido da vida está onde menos se espera. Conquistar, usufruir, tornam-se verbos usados diariamente, gramaticalmente corretos ou não.
Vive-se a era do útil, do apolítico, do apático, do neutro. Nessa rotina do “tô nem aí” ou “pouco me importa”, o amor nasce velho, pois o “ficar” e o “pegar” o tornou retrógrado. A amizade verdadeira é desacreditada e a ternura tornou-se banal. É preciso que se busque o belo na vida, resgatá-o, por exemplo, na sabedoria, na música, na arte, na literatura; ou seja, como expressão essencial da vida. Basicamente é repensar a vida e procurar vê-la sob um novo olhar.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A política não deveria ser assim...


Geraldo Trindade 


  O assunto política traz, nos tempos atuais, um sentimento de repugnância e até mesmo de descrença. Fala-se dela, mas sempre com uma desconfiança, talvez por se perceber que no exercício desta arte-serviço os interesses particulares se sobrepuseram e esmagaram os interesses e o bem comum.
      Quantos escândalos abalaram o país e se projetaram na mídia! Mensalão, dólar na cueca, operação dominó, caso Carlinhos Cachoeira... De certo, a corrupção é uma das maiores queixas da sociedade, pois causa impactos destrutivos na vida do cidadãoe da sociedade.
        Outros fatores aumentam a indiferença dos eleitores. É uma infinidade longe de partidos e candidatos sem que eles tenham, de fato, um comprometimento efetivo na sociedade. A ausência de debates transformou os partidos e os candidatos em uma série de massa, onde é impossível analisar e comparar. Enquanto isso, fala-se muito e poucas propostas práticas são apresentadas.
A reação do eleitor é a mais absurda apatia. Ele passa a votar porque é lei e obrigação. Escolhe por simpatia ou vota em qualquer um, pois considera que a política não serve para muita coisa. Os políticos tomam os cargos públicos como profissão e fonte de renda. Repetem as mesmas falas, mesmo não se dando conta do que proferem, mas cai bem aos ouvidos dos eleitores. E isso cada vez importa mais: o efeito que se produz. Cresce, assim, a ação dos marqueteiros, que tem a função de tornar o candidato palatável aos eleitores. Perde a democracia e ganha-se o negócio e a “arte cênica”.
Toda essa realidade pode parecer desestimulante, mas ao cristão não comporta aceitação e resignação. É preciso uma corajosa renovação pessoal e social que assegure mudanças de mentalidades para se chegar às das estruturas. “Os fiéis leigos não podem de maneira nenhuma abdicar de participar na ‘política’, ou seja, na multíplice e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover de forma orgânica e institucional o bem comum” (Christifideles laici, n. 42)”, que compreende a promoção e defesa de bens, como é a ordem pública e a paz, a liberdade e a igualdade, o respeito da vida humana e do ambiente, a justiça e a solidariedade.
Por isso, as eleições municipais que estão mais diretamente ligadas à realidade vivida pelo cidadão é tão importante e decisiva nos rumos das políticas públicas das cidades. Por isso, esse voto não pode ser subestimado e é a nossa voz e resposta no sistema democrático. É preciso que se escolha bem, que se avalie o candidato, suas propostas, sua atuação, sua honestidade... Só assim que será possível um exercício amadurecido e autêntico da política.
Seguem algumas dicas que podem auxiliar na escolha do próximo dia 7 de outubro:
1º) Conheça a vida dos candidatos
É importante que as pessoas verifiquem a vida dos candidatos, seja no histórico pessoal ou na vida pública. De certa forma, nessas eleições os candidatos são mais fáceis de serem conhecidos porque certamente são pessoas que têm uma história na nossa cidade.
2º) Procure saber se eles já ocuparam funções públicas e suas condutas
É importante verificar as funções públicas e as realizações que os atuais candidatos ocuparam ou se pleiteiam a reeleição. Inclusive é importante verificar se são candidatos Ficha Limpa, se não há nada que os desabonem em sua conduta pública.
3º) Descubra quais as propostas desse candidato para a cidade
Quais os interesses que os candidatos estão se propondo a representar? Porque muitos fazem promessas que não poderão cumprir, pois não compete ao cargo que pretendem ocupar. Por exemplo, vereadores não fazem obras, mas sim o executivo.
Analise quais as propostas que os candidatos apresentam para a vida da comunidade, quais são as propostas para o sistema viário, para o meio ambiente, para a saúde, para a educação, para a geração de renda e empregos... 
É preciso pesquisar bem os candidatos, conhecer suas propostas, seus partidos e analisar aqueles que mais se enquadram nos valores que nós defendemos.
4º) Verifique se eles se propõem a exercer sua função com transparência
Nas propostas dos candidatos existe algo que ajude a dar mais transparência? Que ajude no combate à corrupção?
5º) Analise se as propostas favorecem a democracia participativa
Outro aspecto a ser observado é se os candidatos promovem a participação da sociedade como a criação e o funcionamento dos conselhos municipais. Após o período eleitoral é preciso voltar a conversar com o candidato sobre o cumprimento dos compromissos assumidos e o exercício do seu mandato. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Vou fazer diferente nestas eleições de 2012.

Geraldo Trindade 

No próximo 7 de outubro em todo o Brasil haverá o que é chamado “festa da cidadania”, ou seja, as eleições, que neste ano são em nível municipal. É neste momento que o eleitor diante das urnas confiará a prefeitos e vereadores os cargos de condução e governo de nossas cidades. O ato de digitar alguns números pode até ser tomado como simples e passado algum tempo, cair no esquecimento individual e coletivo. Porém, os efeitos do voto costumam ter consequências que duram bem mais do que nossa memória. 

O envolvimento sério e consciente no pleito é questão de dever e direito do cidadão e auxilia na construção da democracia representativa, ou seja, os representantes (vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, presidente...) exercem seu poder em nome do povo e não com um poder próprio. Eles devem buscar em sua função de representantes do povo o bem comum da sociedade e nunca em favor do seu próprio bem ou de grupos. 


É evidente que o tempo que estamos vivendo é de descrédito em relação a política, pois ela e os políticos já não conseguem responder às questões, demandas e anseios da população. É preciso lembrar que pautar-se pela ética e por uma conduta ilibada não é somente matéria para discursos ou favor que se presta à sociedade. Ser correto não deve ser algo extraordinário ou material para campanha eleitoral. É obrigação de cada cidadão, inclusive de todos os que disputam e ocupam cargos públicos. 

Para que a corrupção,
os desmandos e a falta de transparência nas coisas públicas não se tornem um desencanto constante na vida dos brasileiros é preciso que se renovem as estruturas e as pessoas. Isso podemos por meio de nosso voto consciente. É preciso que homens e mulheres de fé se tornem sal, luz e fermento onde são ausentes os valores cristãos. Como pessoas de fé todos são chamados a escutar os clamores do povo, a se pautar por valores humanos e éticos condizentes com os valores reais do Evangelho para que se construa em nosso meio uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

As eleições municipais têm um distintivo, pois coloca em disputa projetos para solucionarem problemas que estão próximos do cidadão, tais como: educação, saúde, segurança, trabalho, transporte, moradia, lazer, cultura, ecologia... Além do mais, os candidatos são mais próximos, o que deve favorecer com que a escolha seja mais acertada. O voto é pessoal e intransferível, mas tem consequências para a vida de toda a comunidade, por isso não se pode pensar que o exercício da cidadania só se dá no momento em que se vota. 

É preciso que o eleitor estabeleça critérios dignos para discernir os autênticos políticos e estes estejam atentos para compreender que seu mandato é um serviço à população e não meio de se enriquecer ou de atender outros interesses. O verdadeiro político pensa no bem da sociedade, especialmente dos pobres e necessitados. “Eles, os políticos, precisam ter seu histórico de coerência de vida e discurso político referendados pela honestidade, pela competência, pela transparência e pela vontade de servir ao bem comum. Os valores éticos devem ser o farol a orientar os eleitores, em contínuo diálogo entre o poder local e suas comunidades.” (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB) 

A partir deste horizonte algumas pistas nos deixam esclarecidos: vote sempre, pois não votar é omissão; vote com liberdade, pois na democracia se é livre para escolher; o voto é um direito e um dever de todo cidadão; não venda seu voto; conheça o candidato, sua história, suas alianças políticas; conheça o programa dos candidatos; fique atento às falsas promessas; vote com consciência exigindo projetos consistentes e que visem o presente e o futuro da cidade; examine quem está financiando a campanha do seu candidato e acompanhe os eleitos. As eleições são o começo de um processo e nunca o fim. Por isso, faça diferente, vote consciente.