Geraldo Trindade – padre na Arquidiocese de Mariana

Bento XVI sempre foi um acadêmico, um intelectual e um teólogo de grande
envergadura. A Sé Petrina lhe tirou a força físisca e espiritual dificultando a
condução dos trabalhos e do governo da Igreja. Mas, isso em nenhum momento pode
ser encarado sem a dimensão humana e divina do ato porque o ato humano foi
redimensionado por meio da oração ao mistério de amor, humildade e desapego que
deve caracterizar a vida do cristão. Assim escolheu no recanto de um mosteiro
passar os últimos dias de sua vida como sinal de que nas suas preces continuará
a sua missão evangelizadora e de amor à Igreja.
O gesto da renúncia de Bento mostrou claramente que a Igreja, barca de Pedro,
não pertence ao papa, mas sim ao seu Senhor, Cristo Jesus. Com seus gestos singelos
e firmes, Bento XVI exerceu com maestria seu trabalho apostólico e no último
gesto do seu pontificado mostrou a importância do desapego às coisas terrenas.
No seu último Ângelus falou de forma alentadora: “Não abandono a Igreja,
continuarei a servi-la com a mesma dedicação e amor”. E isso tem feito com
generosidade e discrição!

A
renúncia de Bento XVI trouxe à Igreja o nosso Francisco. A certeza de
continuidade é própria da nossa fé. O apóstolo Paulo vem nos lembrar: “um é o
que planta, outro o que rega e outros os que colherão os frutos” (cf.1Cor
3,6-9). O Papa Bento XVI plantou uma semente de esperança com a sua força
de fé e compromisso com o Senhor Jesus, e juntos devemos regar a mesma semente
a fim de que produza frutos para a honra de Jesus Cristo.
Devemos
ver a história da Igreja com confiança em Deus e acima de tudo fé.
Sabendo que são verdadeiras as palavras de Jesus sobre o Mistério, que é a
Igreja, que brota do Seu coração aberto na Cruz, "As portas do inferno não
prevalecerão!" (Mt 16, 18).Estas palavras permanecem inabaláveis e
verdadeiras através dos séculos!