domingo, 14 de julho de 2013

Testemunhar o Cristo Ressuscitado e sua misericórdia: compromisso dos jovens

  


Geraldo Trindade

Estamos às portas da Jornada Mundial da Juventude! Muitas são as expectativas! Os olhos dos fieis católicos do mundo estão voltados para este evento e não nos enganemos, aqueles que não são católicos também estão atentos e se questionando o por quê uma instituição milenar como a Igreja Católica optou sua ação evangelizadora tendo como prioridade a juventude.  Reside no mistério da Igreja o mistério de Cristo, que morreu e ressuscitou pela humanidade. Esta verdade sempre faz a Igreja sempre nova e a cada dia ela se coloca diante do seu Senhor, Cristo, para buscar nEle a inspiração de sua ação. Optar pelos jovens é optar, hoje, por uma vida de sentido, de felicidade, de desejo de grandes verdades, de sonhos elevados...
Não se concebe uma Igreja Católica que não seja toda ela, por meio de cada batizado, missionária. Isso não é questão de simples generosidade, mas de fé generosa (Mt 5, 15-16); pois Cristo não é conhecido por aqueles que diariamente nos rodeiam.
            Ora, bem se sabe que não basta ouvir falar de Cristo, que o Seu nome tenha chegado aos ouvidos ou que se saiba que Seu nome está entre os grandes homens da história. Isso é pouco, muito pouco para que Ele seja realmente encontrado. É preciso que sua realidade misteriosa tenha sido experimentada como realidade única e decisiva na vida de cada um.
A JMJ é por isso uma grande oportunidade missionária,  pois o tema escolhido pelo Papa emérito, Bento XVI, foi: “Ide e fazei discípulos entre todas as  nações” (Mt 28,19).  Este tema vem de uma longa caminhada que teve seu auge na Conferência de Aparecida, quando os bispos da América Latina e Caribe provocaram a criação uma “cultura missionária”, isto é, cada batizado e batizada é discípulo de Cristo, mas é também missionário dEle e deve-se deixar ser tomado por esta Verdade e anunciá-La sempre e constantemente.  A convocação do tema da Jornada Mundial remete à ordem do Senhor a seus Apóstolos e coloca a Jornada dentro da perspectiva de uma Igreja em estado permanente de missão.
A missão que recebemos como Igreja, como jovens, é a de  anunciar a presença de Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado entre  nós. Essa tarefa missionária é assumida especialmente nos dias da  Semana Missionária da Jornada Mundial. Todos os jovens e todas as comunidades, junto com jovens peregrinos de outros países, estarão  unidos no mesmo compromisso, testemunhar a grandeza do Evangelho.
 A Jornada Mundial da Juventude não é apenas um evento isolado. Na verdade, é uma grande oportunidade para optar pelos jovens, ao mesmo  tempo em que se concebe uma Igreja que coloca os jovens, em suas pastorais e movimentos como cruciais em sua vida e ação.

É tempo novo! A JMJ se aproxima! Com palavras novas, jeito novo, ousadia nova, caminhos novos, é preciso que se queira proclamar a vida de Jesus Cristo e o reino por Ele anunciado.Testemunhar o Cristo Ressuscitado e sua misericórdia é nossa missão e compromisso de batizados.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Que mistério envolve a Jornada Mundial da Juventude?

Geraldo Trindade
         


Após os dias 23 a 28 de julho quando acontecerá no Rio de Janeiro a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o Brasil já não será mais o mesmo. Reunirá milhões de jovens católicos do mundo e a vinda do papa Francisco deixarão um rastro novo, de esperança e de fé no coração de todos os católicos. A Jornada não será um evento pontual, muito pelo contrário, ela será capaz de renovar a Igreja, pois pretende dar um novo fôlego na fé de todos aqueles que creem.
            A JMJ foi criada em 1985 pelo papa João Paulo II. Desde então, várias cidades pelo mundo tem acolhido a multidão de jovens para se encontrar com o Papa, mais ainda, encontrar-se com o próprio Cristo por meio da peregrinação, da oração, da reflexão, da escuta da Palavra e da celebração da Eucaristia. Os jovens buscam ter um encontro verdadeiro com Cristo na cruz, pois ela é o sim de Deus ao homem, é expressão de total amor dEle por cada um de nós.
            Sabemos muito bem que o tempo da juventude é marcado pela característica de buscar grandes aspirações. Quer-se uma vida grande e bela, mas não se sabe onde e como edificar suas vidas. Ao vermos tantos jovens que têm a fé como alicerces para suas vidas, questionamos: o que exatamente esses jovens procuram? O que os fazem sair de suas casas, de seus países, privarem-se de comodidade, fazerem tantos sacrifícios? O que, de fato, envolve a JMJ?
            Há o clima de viagem, o encontro com diversos jovens, oportunidade de conhecer outros lugares, culturas... Mas, na verdade a Jornada é um kairós na vida dos jovens e da Igreja. O novo, o grande e o sentido da vida que todos almejam, as aspirações,  sonhos e desejos só se tornam plenos e concretos quando estão enraizados n’Aquele que pode nos dar a vida em plenitude. Para alcançarmos esse fim é preciso da fé viva, da caridade capaz de ser solidários com os mais sofredores e da esperança em Cristo que jamais nos deixa desanimar frente aos problemas da vida.
            O encontro com o Papa propiciará a renovação de nossa fé em Cristo ressuscitado que quer dar esta vida nova e grande que desejamos viver. Por isso única é a voz dos jovens, dos padres, bispos e do papa no anúncio de uma Igreja viva, do desejo de querer seguir a Jesus e crescer na fé. “Permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho. Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem.” (Papa Francisco). Assim, os jovens, fortemente enraizados em Cristo, são capazes de mostrar ao mundo uma Igreja bela e renovada. Torcemos para que muitos outros jovens se comprometam com a Igreja e renovem profundamente a Igreja de Cristo, as paróquias, os grupos de jovens a fim de que se construa hoje a civilização do amor.
            O encontro com Cristo é fonte de verdadeira alegria e felicidade. Em um tempo e sociedade onde o nada é o grande hóspede do coração jovem é preciso mostrar que temos fé e que não cremos sozinhos, que como Igreja formamos uma comunidade que busca imitar Jesus e viver o Evangelho. A grande verdade a ser proclamada na JMJ é: DEUS É AMOR.

            Sem sombra de dúvida, a JMJ no Brasil contribuirá para a formação de novas gerações católicas. Além do mais propiciará um novo olhar sobre a juventude, percebendo nela um papel ativo e comprometido. Não podemos deixar que o o testemunho de fé dos jovens morra após a jornada! Rumo à JMJ, perseverantes em nossa fé!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O que o Papa Francisco vem fazer no Brasil?




Geraldo Trindade


            Por que o Papa Francisco vem ao Brasil? O que este homem tem a nos falar?
            Ele vinrá ao país em 2013 para participar da 18ª Jornada Mundial da Juventude.
            Não é com pouco pesar que vemos o egoísmo imperando, as famílias se desfragmentando, o ódio entre segmentos sociais se acirrando, a ausência de amor, de alegria, de esperança se instalando. O trabalho digno é privilégio de alguns, o desemprego ainda marca profundamente nossa realidade, as drogas invadem os lares, a violência ceifa vidas, a depressão atinge milhares de homens e mulheres...
            Apesar de tudo isso, nada impede os jovens de sonharem. É próprio deles desejarem algo mais do que o cotidiano da vida. O jovem é o ser do novo, da relação interpessoal vivida na verdade e na solidariedade, da amizade autêntica, do verdadeiro amor, do futuro sereno e feliz... Perguntam-se qual o sentido da vida, buscam porto seguro para reabastecer a força e zarpar em busca de seus ímpetos mais sublimes e generosos.
            Vivendo nesta realidade, a figura do papa representa que há uma alternativa onde se possa encontrar, na vastidão e na beleza da vida, uma segurança e um sentido. Francisco vem para reafirmar que tudo o mais é insuficiente quando se descobre que o nosso desejo da vida é Aquele que nos criou. Ele deixou sua marca indelével em nós, por isso aspiramos o amor, a alegria e a paz.
            A vinda do papa nos deixará um imenso legado espiritual. Será uma oportunidade ímpar de se ver o rosto da juventude católica, de renovar e solidificar a todos na fé e no amor à Igreja. É a certeza de que vale a pena acreditar em Deus, de dar a sua vida em favor dos outros.
            Trazemos dentro de cada um de nós inúmeras questões e dúvidas. Procuramos resposta e não pararemos de buscá-las, mas trazemos a certeza de que só será possível encontrá-las por meio de Jesus Cristo, Aquele a quem o papa, figura de Pedro, insiste que confiemos. “O Rei que seguimos e nos acompanha, é muito especial: é um Rei que ama até à cruz e nos ensina a servir, a amar. E vós não tendes vergonha da sua Cruz; antes, abraçai-a, porque compreendestes que é no dom de si,  no sair de si mesmo, que se alcança a verdadeira alegria e que com o amor de Deus Ele venceu o mal. Vós levais a Cruz peregrina por todos os continentes, pelas estradas do mundo. Levai-la, correspondendo ao convite de Jesus: ‘Ide e fazei discípulos entre as nações’ (cf. Mt 28, 19), que é o tema da Jornada da Juventude deste ano.” (Papa Francisco)
            Rumo à Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, certos de que os jovens respondem com prontidão quando é proposto com fé com sinceridade e verdade o encontro com Cristo, fundamento da nossa fé. Incentiva Francisco aos jovens: “devem dizer ao mundo: é bom seguir Jesus; é bom andar com Jesus; é boa a mensagem de Jesus; é bom sair de nós mesmos para levar Jesus às periferias do mundo e da existência. Três palavras: alegria, cruz, jovens.”


terça-feira, 7 de maio de 2013

Os jovens e um novo Pentecostes


Geraldo Trindade
Bacharel em filosofia e cursa teologia 


O maior país católico está prestes a vivenciar um momento ímpar no processo de evangelização. A Jornada Mundial da Juventude convocada por Bento XVI para o Brasil em julho com o tema “Ide e fazei discípulo entre todas as nações” (Mt 28,19) entrará na história por ser uma jornada de dois papas e ainda mais porque será presidida pelo papa Francisco, o 1º papa latino-americano.

            A Jornada quer ser um novo Pentecostes na vida de inúmeros jovens e católicos. O Espírito Santo em ação infinita nos corações cansados e feridos, quer dar um novo impulso e ânimo na fé.
            O Brasil é inegavelmente de raiz cristã-católica; mas isso não o blinda das problemáticas da pós-modernidade. Avança avassaladoramente a secularização na concepção de uma vida sem Deus, na qual o homem se absolutiza e passa a querer construir a si mesmo sem o referencial do Absolutamente Outro, Deus. O progresso, em especial nos meios de comunicação social e as distâncias geográficas quase chegam a ser anuladas. Porém tais avanços não foram capazes de gerar e fortalecer valores como compreensão e comunhão. Tais valores quando existentes são marcados pela superficialidade e acabam gerando conflitos entre as gerações e entre as pessoas.


            Assustadoramente assistimos, quase cotidianamente, conflitos e agressões, onde transparece a mentalidade de que compreender o outro é passado e difícil demais, pois cada um quer que seu eu e interesses sejam prevalecidos. Outro fator, que é o progresso da ciência e da técnica quer ter o intuito do domínio absoluto do corpo humano e das forças da natureza.


            É diante desde mundo que a Igreja Católica lança o convite a todos os jovens a serem testemunhas do Absoluto, a perseguirem valores que engrandeçam o coração cansado, a doarem-se por um projeto de vida elevado, que só Jesus Cristo é capaz de dar, por meio da vivência do amor, do perdão, da caridade e da solidariedade. O grande convite é viver hoje a realidade histórica da presença do Espírito Santo sobre nós.
            Pentecostes foi a vinda do Espírito Santo, de modo visível e palpável sobre os apóstolos e a Igreja em Jerusalém. Sob a forma de um vento forte, o Espírito impeliu a Igreja que nascia a trilhar seu caminho na história. Como fogo veio iluminar as mentes e inflamar de amor os corações temerosos dos apóstolos. Com ousadia e coragem saíram anunciando a novidade do Evangelho, não encontrando barreiras geográficas e linguísticas.
            A ação do Espírito Santo não está presa ao passado da Igreja, mas se prolonga e se perpetua no tempo, aqui e agora. Ele quer a cada dia renovar a Igreja e o mundo, além de toda e qualquer fronteira. Ele quer conduzir homens, mulheres, jovens e crianças de hoje em vista de um mundo novo.

            E eis que vem um simpático senhor, pai do mundo todo, o Papa Francisco convidando a abrir a porta da nossa vida à novidade de Deus: “Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos. Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a ação contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá.” Ele une suas palavras ao desejo do papa Bento XVI de verem todos os jovens a serem santos-missionários, testemunhas apaixonadas de Cristo e evangelizando no meio de uma sociedade que quer esconder Deus dos olhos apaixonados de inúmeras pessoas que guardam a fé e a cultivam.

            Os jovens de fé de cada uma de nossas comunidades são chamados pelo Papa, pela Igreja e por Cristo a darem testemunho de fé, a edificar uma nova civilização de vida, de amor e de verdade. Nesta grande empreitada o Espírito Santo quer mais nos transformar e renovar. Infelizmente nem sempre abrimos o nosso coração à sua novidade, sabedoria e força. Ele tem pressa, quer agir e só depende de nós.
            Com espírito novo e renovado somos convidados a agir como cristãos, não nos fechando em nosso próprio eu, mas orientando-nos ao outro por Cristo; ou seja, acolher em nossa vida, atos e palavras toda a Igreja e deixarmos que ela nos acolha e nos oriente. Quando o discípulo-missionário de Cristo, o batizado, fala, pensa, age; ele o faz pensando na humanidade que necessita do seu testemunho de viver como Cristo, inspirado pelo Espírito Santo segundo o desígnio do Pai.