domingo, 10 de março de 2013

Jovem bem orientado não é manipulado!


Geraldo Trindade



            A Campanha da Fraternidade neste ano coloca a sociedade, o governo e a Igreja em sinal vermelho. O que estas três esferas têm oferecido aos jovens?
            Os jovens passam por uma crise de sentido, de certezas. O que tem sido feito para orientá-los?
            Cada vez mais se estabelece relações entre as pessoas a partir do interesse, da indiferença e do utilitarismo. O que tem sido feito para educar as novas gerações de gratuidade?
            A publicidade e o mercado criam realidades ilusórias, necessidades que provocam o descontrole do consumismo em crianças, jovens e adultos. O que se tem feito para criar a consciência de um consumo sadio e consciente?
            O avanço tecnológico vai garantido maior acesso a internet, aos meios de comunicação e redes sociais. O que se tem dialogado com as crianças, adolescentes e jovens sobre o uso correto desses meios?
            Infelizmente, aos poucos vai se perdendo os parâmetros do que é bom e mal, correto e errado.
            Muitos jovens perdem o sentido da vida, estão ausentes a dimensão do futuro e da esperança. Assustadoramente, cada vez mais jovens se perdem no álcool, nas drogas e no extermínio de sua própria vida. São eles também, os jovens, vítimas de assassinatos.
            O limite, o “não” parece inexistir, pois é tomado como limitação da liberdade e por isso mesmo corre-se o risco com a formação de gerações que desconhecem  limites e o respeito aos outros.
            Não basta a indicação dos riscos pelos quais enfrentam a juventude. Jovem bem orientado não é manipulado, pois é capaz de assumir suas decisões com determinação. É capaz de se colocar diante do mundo, de suas solicitações com uma nova postura: não se deixar levar somente pelo que está na moda e na “boca da galera”. Sabe utilizar as redes sociais com discernimento e limite. Vê na família o porto seguro, o lugar do aconchego, do carinho e da formação de valores.
            O jovem sabe que sua vida está interligada ao destino das outras pessoas e ao futuro da humanidade. Sabe que a fé em Deus e a sua participação na Igreja são tesouros preciosos, do qual não se pode abrir mão.
            “A Igreja olha para os jovens com esperança”. (Bento XVI). Além de serem esperança, os jovens são heróis dos tempos pós-modernos; capazes de superarem as injustiças e corrupção, de serem fermentos em meio aos idealismos, de defenderem o bem comum, de promoverem o diálogo e o encontro, de serem autênticos e participativos, de preservarem e cultivarem a fé, o amor a Deus e ao próximo... Cada dia mais os jovens são convocados a serem protagonistas de uma sociedade mais justa, fraterna, inspirada no Evangelho: a CIVILIZAÇÃO DO AMOR. Fica o conselho de um pai espiritual aos jovens: “Permiti que o mistério de Cristo ilumine toda a vossa pessoa! Então, podereis levar aos vários ambientes aquela novidade que pode mudar relacionamentos, as instituições e as estruturas, para edificar um mundo mais justo e solidário, animado pela busca do bem comum. Não cedais a lógicas individualistas e egoístas! Que vos conforte o testemunho de muitos jovens que alcançaram a meta da santidade.” (Bento XVI)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Bento XVI: o papa e servo na vinha do Senhor


Geraldo Trindade 




            Agora com a Sé de Roma vacante, a Igreja Católica experimenta, após anos, a sensação de ter um papa emérito enquanto se espera um conclave para a eleição de Sumo Pontíficie. Para meu espanto a grande mídia cobriu com avidez esta troca na suprema hierarquia da Igreja Católica. Primeiro, pode ter sido por interesse, por garantia de ibope; mas também não descarto que, por mais que se tente apagar, o papa representar valores e posturas morais porque ele não age, não se pronuncia e não se porta ao sabor das ondas, mas a partir, invariavelmente, do Evangelho. O título que é concedido ao papa de vigário de Cristo simboliza muito bem que na terra ele faz a ponte com o sagrado, com o divino. Viver e pautar-se pelo Evangelho é um dos grandes convites que um papa faz a toda a humanidade e isso sempre chamará a atenção do mundo.
            Bento XVI esteve à frente da Igreja foi um período de drásticas mudanças no mundo e no cristianismo. Ele se esforçou para tornar a fé mais clara e inteligível para que assim fosse abraçada com certeza e convicção vital. Lutou para que os esforços burocráticos, pastorais e evangelizadores da Igreja não perdessem o seu foco – Cristo. Sempre convidou todos os católicos a terem Jesus como centro da vida cristã. Quando se perde o sentido referencial, que é Cristo, a Igreja corre o risco de tornar-se tudo, menos o corpo de Cristo, que traduz no mundo os valores pregados e vividos pelo Verbo encarnado.
            No dia 19 de abril de 2005, o cardeal Ratzinger aparecia na sacada de São Pedro como novo papa sob o nome de Bento XVI e dirigindo à multidão reunida disse: “Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes.” Colocou-se humildemente como servo do Senhor. Muitas vezes o servo é dispensável à gosto do Senhor. Agora, surpreende-nos com a sua despedida serena, de fato, como um servo que fez o que deveria fazer e que não fica a aguardar a recompensa de seu Senhor. Na noite do dia 28 de fevereiro se despede do mais alto posto da Igreja Católica com as singelas palavras, porém não menos profundas de que “sou simplesmente um peregrino que inicia a última etapa de sua peregrinação nesta terra. Mas gostaria ainda com o meu coração, com o meu amor, com a minha oração, com a minha reflexão, com todas as minhas forças interiores, de trabalhar em prol do bem comum e do bem da Igreja e da humanidade. E me sinto muito apoiado pela simpatia de vocês. Sigamos adiante com o Senhor para o bem da Igreja e do mundo.”
            O cardeal Ratzinger viveu o pontificado não aprisionado a moldes ou pressão, mas soube interpretá-lo e dá-lo uma nova configuração. Se ele não tinha o trejeito com o público como seu antecessor, mas teve e tem a capacidade de refletir com profundidade e originalidade, ao mesmo tempo, entende que o seu papel como papa não se restringe a grupos seletos, mas como ele mesmo disse em sua última audiência: “O Papa nunca está sozinho, pude experimentá-lo agora mais uma vez e duma maneira tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos, e muitíssimas pessoas se sentem estreitamente unidas a ele.”
            Agora, o papa emérito descansa, pois completara suas atividades às 20 horas  do dia 28 de fevereiro, mesma hora em que encerrava seu expediente de trabalho como um servo que se coloca a disposição de seu amo; assim, mais uma vez Bento XVI dá o exemplo de levar a bom termo a sua missão, pois a Igreja não é dos homens, mas de Cristo. Resta a cada batizado abraçar Cristo e por consequência a missão com o intuito de deixar com que a fé entranhe até as profundezas da existência humana.
“Deus guia a sua Igreja; sempre a sustenta mesmo e sobretudo nos momentos difíceis. Nunca percamos esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo.” (Bento XVI, papa emérito)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O jovem busca o sentido da vida: Reflexões CF 2013



Geraldo Trindade



            O espírito jovem invade a realidade de todas as gerações: são jovens que querem viver com total liberdade sua vida; crianças que já se comportam e levam o ritmo de vida juvenil e adultos que não  restringem seu ritmo de vida a partir  de sua faixa etária; mas que se sentem revigorados em sua “juventude experiente”.
            É fato que a juventude é hoje o assunto! É fato também que este ano de 2013 tem uma tônica especial para a Igreja Católica. A Campanha da Fraternidade abordará: “Fraternidade e Juventude” e o lema: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). Além do mais, em julho no Rio de Janeiro ocorrerá a Jornada Mundial da Juventude com o papa Bento XVI.
            O tempo em que estamos vivendo se insere em um contexto de mudança de época, o que implica que se está gestando novas formas de se viver a partir de novas visões do mundo, do ser humano e das relações que nos cercam. Novos valores, ideias e atitudes vão se sobrepondo àquelas dos nossos pais e aos poucos uma nova cultura vai se forjando. Neste meio os jovens tendem a se sentirem perdidos, sem rumo e até mesmo apáticos e indecisos quanto à sua vida e ao seu futuro.
            A Igreja não quer e não pode se furtar a ser o porto seguro, uma bússola a indicar os valores que garantem a felicidade para a humanidade, de modo especial, para os jovens.
            O jovem busca o sentido da vida. Tal busca iluminará seus caminhos e suas escolhas, ajudará a discernir os valores a defender, pelo que sacrificar a vida, o que esperar dela e o que buscar no outro. Nesta busca se descobre que não se é fruto do acaso, mas que a origem, a duração e o fim da vida leva à Alguém que criou e governa a história – Deus – que nos ama e se comunica a nós. É Ele a fonte do amor. “Quem ama procura o ser amado e com ele permanecer.” (TB 262). Esse Amor que é Deus leva-nos amar nossos semelhantes. Passamos a ser fonte da paz e transparecemos isso em nossos gestos e palavras. Isso é capaz de provocar alegria quando se age dessa forma.
            Para que sejamos corajosos a ponto de vivermos diferentemente do âmbito do individualismo e da competição é preciso coragem, ao mesmo tempo desenvolvermos uma consciência crítica e um amor apaixonante por Jesus Cristo. É preciso sabermos ouvir a Sua voz em meio às vozes do mundo. O jeito de Jesus viver orienta como devemos viver hoje!
            “O Senhor despertava as aspirações mais profundas de seus discípulos e os atraía a si, maravilhados. O seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como mestre que o conduz e acompanha.” (DAp 277).
            A partir de Jesus cada de nós, jovens, devemos, necessariamente, vivermos o amor, a gratuidade, a alteridade, a unidade, a eclesialidade, o perdão e a reconciliação. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Breves reflexões para o nosso tempo pós-moderno


Geraldo Trindade



A realidade que se descortina e é vivida por nós é fruto de sementes lançadas anteriormente. No caso do Brasil, uma cultura colonial, escravocrata, marcada pela exploração da natureza e por  práticas corruptas sempre houve uma cultura de manipulação e desrespeito. Há o triste traço marcante do cotidiano brasileiro: crianças sendo mortas, corrupção, balas perdidas, pessoas mendigando, milhões em sonegação... Viver está esquisito? Muitos estão se portando acima do bem e do mal como se fossem donos do mundo.
Dinheiro, poder, beleza, nada disso desabsolutiza a finitude da vida. A ciência nunca vai inventar um elixir que ressuscite o corpo morto. A busca desenfreada pelo dinheiro se revela em atitudes corruptas, antiéticas e de esperteza. Estabelecem-se paralelos entre eu e o outro, em uma crise comparativa do valor pecuniário e posição social. Desejar o que é do outro tornou-se mania, que destila veneno na alma.
A dita inveja, de tão cruel e perigosa aplaude as injustiças em detrimento da justiça, de valorização daqueles que, mesmo com caráter duvidoso chegam aos altos postos.
A pactuação com o jogo sujo, de certa forma vai matando a esperança dos brasileiros. Vive-se à espera de um futuro em meio à deslealdade e valores supérfluos. Faz tempo que a realidade imita os enredos novelísticos, que invadem as casas e impõem condutas, pensamentos e valores nem sempre éticos modificando os mais puros desejos e sentimentos. Cada vez mais, a sociedade vai se tornando apaixonada pelo virtual, banal e frívolo.
Aqueles que pautam suas vidas pela virtualidade dos meios de comunicação, não assimilaram que desapontamentos e sofrimentos fazem parte de suas vidas. Imitam de tal forma a ficção, que estão em constante atitude de revanche e vingança quando se sentem desfavorecidos e ameaçados. Cultua-se o rancor entre os adultos e entre as crianças. A autodefesa é conceito de valor repassado às crianças, confundindo agressividade com instinto de autopreservação.
Muitos sonham com o amor, com a amizade, com a família e com o afeto, mas o moderníssimo mundo é frio, congelante e distante. Nada é mais cruel do que a convivência desleal e marcada pela desconfiança. Como é bom relaxar e desarmar o coração! Amar aqueles que merecem o amor; amar sem esperar recompensas! Tal atitude perdeu sua presença ativa porque a tendência é relativizar as relações e absolutizar a compra e a venda. Quer-se projetar nas relações o que ocorre na lei de mercado.
 As relações intersubjetivas exigem, fundamentalmente, autenticidade. Nesse processo, as manipulações e falsidades não têm lugar. A relação sadia é elixir para alcançar a alegria verdadeira. Os pais já não têm tempo de educar seus filhos e cobiçam os bens de seus vizinhos e conhecidos. Esquecem-se de que quanto mais pautam suas vidas pelo consumo mais se tornam inseguros. Acreditam ser mais felizes não com o que têm, mas sonham com o que é do outro. Olvidam que o sentido da vida está onde menos se espera. Conquistar, usufruir, tornam-se verbos usados diariamente, gramaticalmente corretos ou não.
Vive-se a era do útil, do apolítico, do apático, do neutro. Nessa rotina do “tô nem aí” ou “pouco me importa”, o amor nasce velho, pois o “ficar” e o “pegar” o tornou retrógrado. A amizade verdadeira é desacreditada e a ternura tornou-se banal. É preciso que se busque o belo na vida, resgatá-o, por exemplo, na sabedoria, na música, na arte, na literatura; ou seja, como expressão essencial da vida. Basicamente é repensar a vida e procurar vê-la sob um novo olhar.