domingo, 6 de fevereiro de 2011

Jean-Paul Sartre

A autogênese do homem pela liberdade: um passeio em Sartre


Geraldo Trindade

Jean-Paul Sartre é um dos filósofos mais importantes da corrente existencialista. Pode-se ver em seu pensamento a angústia do homem moderno, em especial, daquele homem pós-guerra. Ele se atreveu a pensar essa realidade existencial que corresponde à visão de um homem sem fé, sem família, sem amigos e sem finalidade na vida.
Partir-se-á sob a temática da liberdade perpassando o pensamento sartreano e deter-se-á também às visões e percepções deste tema na contemporaneidade.
Sartre analisa de primeiro a consciência, que não é reflexiva, mas que acompanha todo o conhecimento, por exemplo, quando se conta balas, tem-se consciência de contá-las, isto é, o seu conteúdo é o objeto.
A concepção existencialista de homem para Sartre está intimamente ligada a este fundamento. Primeiramente, o homem existe e com o passar do tempo se descobre, passando a se perceber como criador de sua própria história e somente mais tarde é que se define. Passa, então, a ter consciência de si, além de tornar-se um aglomerado de projetos, cuja soma é o homem.
O homem concebido por Sartre tem uma dignidade imensa e por isso é capaz de se lançar e buscar.
A existência do homem é uma condição para ele construir-se como homem, pois sua realidade humana consiste no hoje que determina realizar. Por isso, o homem é responsável por si próprio, não no sentido individualista e intimista, mas responsável por todo os homens.
O subjetivismo no sentido existencialista é o homem que escolhe a si próprio e ao mesmo tempo todos os homens. Nesta escolha, o homem escolhe somente o bem e nada pode ser bom para um indivíduo se não for para todos. Assim, a escolha envolve toda a humanidade. Relacionando com a atualidade, mesmo que as escolhas sejam subjetivistas elas terão repercussão no todo. Daí , pode-se pensar hoje a preocupação com uma ação global em favor da vida, da paz e da ecologia, de forma que um gesto particular há de certa forma influenciar o todo, apelando para o senso de totalidade, mesmo se tratando de escolhas individuais.
O homem reconhecendo-se livre, percebe que não é apenas o que escolheu ser, mas também um legislador, que ao escolher escolhe também toda a humanidade. Dessa forma, ele se angustia porque tem que escolher a sua vida, o seu destino e dessa forma escolhe a humanidade e por isso não pode escapar do senso de responsabilidade.
Ele tem de escolher a vida e o seu destino sem nenhum apoio ou orientação de ninguém. O homem se encontra na condição de desamparo porque não tem algo em última instância que o salve, nem valores eternos.
O homem nada mais é do que uma série de empreendimentos, a soma, a organização, o conjunto de relações que constituem tais empreendimentos. Ele tem o destino em suas mãos e a esperança está em sua ação e ela é a única coisa que permite ao homem viver.
Se em Sartre se valoriza e se destaca o sujeito que escolhe e está fadado a sempre escolher, a contemporaneidade tem como princípio caracterizador a subjetividade. De forma que o homem não é visto mais como fenômeno totalizante com o mundo, mas nele o homem encontra seu lugar e seu destino. Esse distanciamento do mundo permite ao homem a descoberta de sua subjetividade, ele se descobre inserido totalmente no mundo. Como ser no mundo o homem estende-se para além do mundo, com capacidade de transformá-lo em função de si.
A liberdade em Sartre nada mais é do que a atuação do homem pela liberdade sobre o mundo e a realidade que o rodeia, dando assim sentido ao mundo. Nos tempos hodiernos o homem se contrapõe ao mundo como apenas meio para sua auto-realização. No pensamento sartreano, o homem é fonte de sentido para si mesmo. A partir de sua liberdade, isto é, sua incondicional condição, o homem vai escolhendo e se construindo. Essa tarefa de autogênese do homem será sempre incompleta.
Dentre os pontos de convergência da contemporaneidade e do pensamento do filósofo francês Jean-Paul Sartre, há a afirmação do eu. Essa afirmação leva em conta o contexto histórico e a forma como o homem tratará o mundo em que vive e toma decisões ante ao que lhe é apresentado. Expressa, também, o desejo do homem tomar o futuro e as esperanças dele em suas próprias mãos. Outro fator que está presente na contemporaneidade e está intimamente ligado a Sartre é a tentativa de fundar uma nova época tendo por base uma racionalidade que se auto-afirma no lugar de uma determinação teológica. Sartre parte do princípio de que Deus não existe e a partir dessa afirmação é que se construirá o homem e sua história. Fazer suas escolhas e se auto-construir  sem qualquer ordenação divina-daí se vê onde brota a angústia sartreana.
A principal caracterização da filosofia contemporânea é a encarnação da própria filosofia, ou seja, o seu lugar é na temporalidade. Dessa forma, coloca-se o homem na existência. A liberdade se torna casual, a existência dela é criativa. Ao afirmar o homem como centro ele não tem um ponto de referência, ele é o fim da ação.


Referências
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
_____. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Filosofar é uma atividade contínua em busca de algo

Geraldo Trindade
A Filosofia é uma ilustre desconhecida em nossa sociedade.
Sabe-se dos avanços reflexivos e das atividades do pensar promovidos pelo homem. Este provocado pelos problemas, pelas dificuldades e questões que o aflinge e permeiam toda a sociedade necessita re-elaborar todo o pensamento, convicções e compreensões.
A tentativa de pensar o problema e assim procurar sua solução é tão importante e necessária quanto a mera descrição do fato. É verdade que os problemas que atormentam nossa humanidade não sejam tão inovadores, porém estão presentes e são tão atuais quando surgiram. Aqueles que se propõem a pensá-los nem sempre encontram soluções e respostas, mas, às vezes propostas, embora não possam ser consideradas definitivas e absolutas.
A realidade é um convite permanente à reflexão. Assim sendo, a Filosofia desponta como uma análise pensante, racional e lógica de uma realidade, que é síntese e símbolo de sua época, embasada somente na capacidade de pensar.
Os “amigos da sabedoria” se prezam em estudar os problemas, a discutir as conclusões abrindo sempre novas perspectivas. Tais questões não podem ser tratadas em laboratórios; através de cálculos matemáticos, fórmulas químicas; mas são avaliados por uma explicação racional, com validade geral e que é aceita em sua época.
Enquanto cada ciência, como a biologia, a física, a economia, dentre outras, procuram explicar parte da realidade. Resta, destarte, à Filosofia analisar a realidade a partir de uma cosmovisão. Em paralelo à filosofia sistemática, metódica e acadêmica há a chamada filosofia de vida; que é a visão de vida e de mundo que cada um tem para si como verdade. Essa forma não deixa se ser a análise de aspectos diversos, já que a realidade é um convite permanente à reflexão. Assim, a Filosofia em suas mais diversas matizes desponta como uma análise pensante, racional e lógica de uma realidade.
A ânsia de saber é necessária. Como é também necessário sair do comodismo. Não é a busca de querer encontrar soluções e conclusões imediatas e sólidas, mas tanto na Filosofia quanto no simples pensar humano a dúvida se faz presente. Pode-se abranda-la ou diminuí-la, mas nunca aboli-la. Ela proporciona a capacidade de sempre avançar, buscando sempre novos horizontes.
A Filosofia é como diz o filósofo Bertrand Russel, “uma atividade contínua e não algo que possamos atingir, de uma vez por todas.”



Cipotânea e suas origens nos seus 300 anos de história
Geraldo Trindade
            A pequenina cidade de Cipotânea no interior de Minas Gerais, que se garba galanteosamente pelos seus rebentos e pela sua história, comemora neste ano de 2011 os seus 300 anos de fundação.
            VIVA CIPOTÂNEA!
            Este rincão em meio à Zona da Mata mineira faz divisa com as seguintes cidades: Rio Espera, Senhora de Oliveira, Lamim e Alto Rio Doce. A origem deste município está na descida dos desbravadores portugueses Francisco Soares Maciel, Narciso Soares Maciel, Manoel Duarte, Fernando Soares Maciel, Manoel de Medeiro Duarte , Jose da cunha; que provindo de Lamim, descendo o Rio espera pararam na confluência com o Xopotó. No dia 7 de agosto de 1711, batizaram estas terras com o nome de São Caetano do Xopotó.
São Caetano em homenagem ao santo do dia e Xopotó, que significa cipó amarelo. Porém, antes mesmo de se chamar Cipotânea e São Caetano do Xopotó,  a região eram chamada de Xipotaua pelos índios do grupo puris, das tribos Croata e Koropos, que viviam às margens do rio Piranga e Xopotó.
Ora, mas o que se comemora desde 1711 até este ano de 2011?
Comemora-se a vitória e a garra de cada um que nasceu nestas paragens: índios, caboclos, negros, brancos, pardos...  É essa sede na busca de seus sonhos e na conquista de seus ideais é que brotam espontaneamente neste ano. De certo, os cipotâneanos buscam suas origens e devem valorizá-las como forma suprema de encontrarem com seus antepassados.
Neste ano do tri-centenário de Cipotânea, muitas comemorações, certamente, deverão marcar esta data. Lancemos, unidos, cipotaneanos de nascença e de coração, essa festa bonita e juntos congraçarmos felizes. CIPOTÂNEA, 300 ANOS DE HISTÓRIA!!!
O que penso neste início de ano
Geraldo Trindade
                Assisti no dia 1º de janeiro o desfile inédito da primeira presidente ( é como prefiro chamar) Dilma Rousseff. Ouvi seus pronunciamentos, como também de alguns governadores empossados. Para completar o quadro épico a platéia era evidentemente de rostos conhecidos: deputados, senadores, personalidades do ramo político; ou seja, velhos rostos conhecidos.
                Em meio a tudo isso, preferi pensar o que leva uma pessoa a pleitear e assumir cargos públicos: presidência, senado, câmaras, prefeituras.
                Pois bem, o que vejo? E também o que não vejo, mas suspeito.
                Às vezes a política me constrange e me deixa envergonhado. Parece que tudo é interesse, não só dos políticos (que certamente os tem em exacerbância), mas também dos eleitores. A moral, o ser e agir correto descarrilharam-se e foram parar em um  lugar inóspito, onde ninguém os encontram. Alia-se a isso o foco desfocado do bem comum para os interesses próprios. Os discursos, as posturas, as idéias e os ideais (para meu espanto) são voláteis, de acordo com o interesse, não comum, mas particularmente (geralmente, o da conta bancária e do poder). O que transparece é que o poder e dinheiro são sempre bem-vindos a qualquer custo.
                Mais uma vez, a política me constrange e me envergonha.
                Acompanho a atribulada vida política do Brasil pelos meios de comunicação (que certamente, não noticiam tudo com imparcialidade). Minha reação é de perplexidade. Espanta-me ao ver que pessoas que roubam dos cidadãos brasileiros são tratados com deferência em fóruns privilegiados (quem rouba é ladrão; essa é a lei geral. Será?). Mais me espanta ainda é ouvir da parte de pessoas “que é isso mesmo”, que “se fosse ele faria pior”(isso me doi, pois demonstra ser igual ou pior que o defraldário).
                Tudo isso me constrange e me envergonha.
                Para não me acusarem de só apontar falhas ( que me incomodam) prefiro ir pensando além. A política não é lugar de competição, de partidarismo, de disputas por cargos, mas é lugar de práticas de cooperação em vista do bem comum (disso não se pode abrir mão). Nessa re-transformação da real missão da política devem estar enganchados os próprios políticos, intelectuais, agentes culturais e nós, cidadãos e cidadãs de bem, que a cada dia procuramos viver corretamente e preferimos viver assim para podermos dormir os sonos dos justos a noite.