domingo, 3 de novembro de 2013

E, agora, jovem?!

Geraldo Trindade




            O ano de 2013 foi singular na vida da Igreja Católica no Brasil, pela escolha da juventude como sua prioridade. A CNBB escolheu como tema da Campanha da Fraternidade a juventude, o Rio de Janeiro sediou a Jornada Mundial da Juventude.  Transpareceu que a Igreja Católica quer respirar com os jovens, caminhar com eles, sonhar seus sonhos, lutar suas lutas...
            A peregrinação da cruz e do ícone de Nossa Senhora pelas comunidades em nosso país favoreceu com que a presença da Igreja, que tem com missão comunicar Cristo, estivesse junto às mais variadas realidades: educacionais, de sofrimento, exclusão, de trabalho, de oração, caminhada, reflexão, celebrações, adoração...
            A JMJ marcou vivamente a memória de todos os que lá estiveram ou acompanharam pelos meios de comunicação. Em torno do sucessor de Pedro, Francisco, que tem como missão confirmar na fé, os jovens puderam renovar seu compromisso com a humanidade e com Jesus Cristo, atendendo o Seu convite: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”.
            Muitos bons propósitos, planos, projetos e iniciativas surgiram a partir das vivências desses momentos e de inúmeros outros. Passado o tempo de empolgação inicial, é hora de verificarmos as chamas que ainda fumegam, de planos e iniciativas, que não estão apenas ancorados em nós mesmos, mas no fundamento, que é Cristo e no desejo de segui-Lo. Porém, a relação do jovem com a Igreja passa, necessariamente, pelos ministros sagrados, consagrados, passa pelas nossas paróquias, pastorais e movimentos. Será que todos esses agentes têm também se ocupado com os jovens? Estão eles comunicando e proporcionando uma experiência de Deus? A juventude tem sido prioridade pastoral em vários planos, mas tem se constituído em ação de oportunidade, escuta, participação dos jovens como força ativa em nossas comunidades?
            Não pode ser permitido aos jovens a apatia diante da fé, do projeto de Jesus Cristo, da vida social do nosso país e das realidades mais desafiadoras e excludentes! É preciso que os jovens saibam viver, buscando os mais altos valores, os projetos mais audaciosos, os sonhos mais preciosos... Viver é pouco se se não coloca razão no dia-a-dia da vida, dando sentido a partir de uma meta de vida. O que muda a história é o que, antes, muda o coração humano. Nada melhor do que deixarmos enquanto batizados, que seja Cristo capaz de nos encantar com sua vida, seus gestos e posturas. Não podemos considerar Jesus totalmente conhecido e apreendido por nossa razão e sentimentos, é sempre uma novidade que deve nos questionar e nos encantar.

            “ Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe mais alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho.  Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de ‘extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar’ (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo.” (Papa Francisco).

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Catedral de Mariana, 300 anos de evangelização



Geraldo Trindade

Neste ano de 2013, a arquidiocese de Mariana festeja os 300 anos de edificação de sua catedral metropolitana Nossa Senhora da Assunção. A celebração se dá pela importância, pois é uma das primeiras catedrais no interior do Brasil, fazendo com que a evangelização, que se iniciou no litoral do país, estendesse para o interior, atingindo uma maior extensão territorial e populacional.
            A diocese de Mariana foi criada em 1745 pelo papa Bento XIV no dia 6 de dezembro de 1745 pela bula Candor lucis aeternae por Bento XIV, desmebrando-a da então diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A igreja escolhida para se tornar catedral da nova diocese foi a capela da beata Virgem Maria do Monte Carmelo. Depois com a elevação da capela à matriz, ela foi dedicada a Nossa Senhora da Conceição. A construção deste templo se deu na administração do governador Antônio Francisco de Albuquerque. Não se sabe, porém, a data específica da finalização da obra; mas o período de construção compreende os anos de 1713 a 1760, que é a data em que se acredita o término da construção como está atualmente.
            Com a criação da nova diocese em território mineiro, foi elevada à categoria de cidade a vila e a catedral à matriz, agora dedicada a Nossa Senhora da Assunção. Essa mudança de padroeira remete a uma tradição luso-brasileira em que a maioria das matrizes era dedicada a Nossa Senhora da Conceição e as catedrais a Nossa Senhora da Assunção.
            A catedral sofreu várias intervenções artísticas e arquitetônicas desde a posse do primeiro bispo, dom Frei Manoel da Cruz, como a colocação do forro, pintura interior, construção da capela do Santíssimo, assentamento do órgão Arp Schnitger em 1753 doado pelo rei Dom José I. Em 1º de maio de 1906 a diocese de Mariana é elevada à Arquidiocese e Sé Metropolitana pelo papa Pio X por meio da bula Sempiternan Humani Generis. Em 1961 a Catedral é elevada à categoria de Basílica menor. A construção da cripta, onde estão sepultados os restos mortais dos bispos e arcebispos marianenses se deu no ano de 1963 e neste mesmo ano foi sagrado o seu altar no dia 16 de julho.
            A Sé Catedral de Mariana tem seu traçado arquitetônico externo bastante simples, o que contrasta com a exuberância de seu interior, marcado por um rico douramento e policromia. Possui uma nave central e duas laterais separadas pelas arcadas, provocando uma sensação de solidez. A leve inclinação das paredes da nave central dá a impressão de grandiosidade. As laterais são formadas por 10 altares de diferentes estilos e o caideral do cabido enfeitado com paisagens chinesas.
            Outros destaques são o tapa-vento, na entrada, de Francisco Vieira Servas, a pia batismal em pedra, cuja tampa também foi esculpida por Servas e o painel representando o batismo de Cristo que tem como autor Manoel da Costa Athaide.
            Além desses aspectos artísticos e arquitetônicos, a celebração dos 300 anos da catedral, que ocorrerá entre os dias 21 a 26 de outubro, contará com a presença do núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello no dia 24. A celebração quer marcar o grande passo dado neste período de tempo por meio do anúncio e da pregação do Evangelho no estado de Minas Gerais e em todo o Brasil. Por meio da presença da Igreja Católica, e neste caso especial pela edificação da catedral e criação da diocese de Mariana, pode-se levar adiante a evangelização de regiões antes desconhecidas ou pouco habitadas. Destarte, os 300 anos significam o grande desejo de perenemente, enquanto Igreja, sermos anunciadores de Cristo e das verdades do Evangelho, que continuam levando a força da Palavra de Deus aos corações desejosos do Caminho, da Verdade e da Vida, que é Jesus Cristo.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Maria é missionária porque confiou!

 Geraldo Trindade

            A nossa vida cristã necessita de exemplos de fé para que se torne madura e capaz de produzir os frutos que o Senhor reserva para cada um de nós. Neste mês de outubro, celebramos o mês missionário e a festa de Nossa Senhora do Rosário. Maria é missionária por vários fatores, mas ela é acima de tudo missionária porque nela se realiza e se gesta o transbordamento do amor de Deus, Jesus Cristo.
            Maria está sempre envolta dessa presença do mistério divino, desde o seu sim, pelo qual tornou-se a mãe do Salvador (Lc 1, 26-38) até o seu sim dolorido e sofrido aos pés da cruz de Jesus (Jo 19, 25-27). Ela se torna filha bendita por meio do amado Filho! Reconhecemos em Maria o autêntico itinerário que cada batizado deve trilhar para viver como missionário.
            A Virgem Maria nos ensina a ter fé. Ela conservava no coração tudo o que ouvia e via e por isso foi feliz porque acreditou (Lc 1, 45). Ela acolheu o Verbo encarnado em seu ventre e a partir de então passou a realizar a peregrinação da fé seguindo o seu Filho. Ela não permaneceu alheia e indiferente ao amor e a presença de Deus em sua vida, mas se envolveu e deixou-se cativar pelo mistério de amor de Deus.
            As nossas comunidades encontram em Maria uma escola de fé. Invocada sob vários títulos, ela vem ao socorro de toda a humanidade nas mais variadas situações e perigos. Nela a Igreja se reconhece também como Mãe, disposta a ir aonde Cristo quer que o amor de Deus alcance. Maria é a primeira evangelizada (Lc 1, 26-38) e a primeira evangelizadora (Lc 1, 39-56).
            Acolheu a Boa Nova da salvação, transformou-se em anúncio, canto e profecia. Ela se consagrou totalmente e plenamente ao impulso da fé que leva à Deus. “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Os missionários, ou seja, todos os batizados, que gastam a sua vida à frente dos campos de missão ou no dia-a-dia do seu trabalho, da vida familiar e das ações eclesiais encontram em Maria o modelo perfeito de dedicação e fidelidade, pois ela se consagrou totalmente como Serva do Senhor.

            Neste mês dedicado ao Rosário, as nossas Ave Marias possam trazer presente a vida missionária da nossa Igreja no mundo todo, em nossa diocese, em nossas paróquias e comunidades. Ser missionário é ser como Maria disposta a lançar-se na grande aventura de crer e com ela, afirmava o beato João Paulo II, “aprendei também vós a dizer o ‘SIM’ de adesão plena, alegre e fiel à vontade do Pai e ao seu projeto de amor”.

domingo, 1 de setembro de 2013

Conflito na Síria: “O uso da violência nunca gera paz”






Geraldo Trindade

Mais uma vez o mundo se encontra sobre o alarme de uma guerra com consequências inimagináveis! Mais uma vez a insanidade da guerra se sobrepõe ao valor do diálogo! Mais uma vez o apego ao poder e a ganância toma corações que deveriam estar dispostos em promover a paz e a concórdia entre as pessoas!
            A crise na Síria teve início em 2011. Tudo iniciou quando um grupo de 14 crianças escreveu em um muro na cidade de Daara um slogan relacionado às revoltas que ocorriam no Egito e na Tunísia. O povo sírio passou a pedir mais democracia e a resposta do presidente Assad foi a retaliação, quando forças nacionais abriram fogo contra a população desarmada que manifestava. Aos poucos, foram surgindo ações de oposição ao governo do presidente, que chegou a formar com partidos clandestinos e dissidentes o  Conselho Nacional Sírio, uma frente antigoverno. Um segundo grupo surgiu para se opor a ideologia islâmica deste Conselho, foi o Comitê de Coordenação Nacional. A luta armada é encabeçada por dissidentes do exército e se organizam com o nome de Exército Livre da Síria.
            Segundo a ONU mais de 100 mil pessoas foram mortos desde o início dos conflitos; outros afirmam que já ultrapassou os 200 mil. Estima-se que mais de 6 milhões necessitem de assistência humanitária e ultrapassa-se a cifra dos 2 milhões de refugiados. Em meio ao caos na Síria, serviços básicos como saúde, educação e alimentação já não acessíveis a grande parte da população. Além de tudo isso, afirma-se agora na comunidade internacional, o uso de armas químicas e premente uma intervenção internacional.
            A oposição a intervenção militar está embasada no princípio de que com a guerra não se ganha nada, muito pelo contrário, se perde tudo. Deve-se optar pela paz e pelo diálogo internacional para que o conflito encontre seu término. As grandes potências do mundo ou fecham os olhos para o sofrimento dos milhões de sírios, tratando-os com desprezo e fechando os ouvidos para os clamores que brotam das dores e perdas na Síria ou encontram a solução no desejo de fazer o governo de Assad pagar por todo mal e sofrimento impetrado na vida dos sírios.
            O som das bombas não pode se ser maior e sufocar o grito de quem sofre. O povo sírio já vive um inferno e não precisa de mais fogo neste abismo. Não se pode conceber que a guerra seja o caminho mais simples e mais fácil. Não é a cultura do atrito, do conflito, da violência que constrói a convivência entre pessoas e povos, mas o diálogo. É o único caminho para a paz. Trata-se de vidas, de histórias, de pessoas, que sofrem, que perdem vidas. Não são simples bonecos entre os interesses, nem sempre humanitários, dos países. É preciso que se acredite na paz, que se eleve de todos os cantos do mundo o clamor por ela. O papa Francisco foi enfático: “Nunca mais à guerra! A paz é um dom precioso demais; deve ser promovido e tutelado.” É preciso que o grito pela paz chegue a ser tão grandioso que todos os lados cheguem à sanidade da verdade e deponham as armas.
Em meio à onda de guerra, lembremos de quantos que não poderão ver a luz do futuro pelas ações impensadas! “O uso da violência nunca gera paz. Guerra chama guerra, violência chama violência!” – pede o papa Francisco: “Com toda a minha força, peço aos envolvidos neste conflito que ouçam as suas consciências, que não se fechem em seus interesses, mas vejam o próximo com seu irmão, que empreendam com coragem e decisão o caminho do encontro e das negociações superando cegas contraposições.”
Para que a paz seja a palavra definitiva em todo e qualquer conflito, Francisco convocou toda a Igreja a rezar no dia 7 de setembro para a paz na Síria, para a paz que é bem-aventurança que Cristo no convida a viver, para a paz que deve brotar do coração  de cada homem e mulher de boa vontade! Unamo-nos pela paz! Unamo-nos em favor uns dos outros! Unamo-nos em favor dos que mais sofrem! Unamo-nos por aqueles que se encontram desesperançosos!