Geraldo Trindade

Como inserir a mensagem do Evangelho
neste universo? E a experiência de fé? E a realidade comunitária-eclesial?
Não basta ser simplista e pensar em
“entrar” neste mundo digital; é preciso refletir em como “estar” nele.
A Igreja encara os meios de
comunicação como dons de Deus, capazes de criar laços entre as pessoas, além de
desempenharem um papel social na sociedade e na história. É impossível não perceber a importância e a
centralidade que os meios de comunicação social conquistaram em nossa
sociedade!
Cristo revelou-se na história e
operou nela a salvação. Ele é a “grande comunicação” do Pai com o mundo. Desde
então, a Igreja é desta preciosa dádiva, guardiã e portadora. Ela guarda a fé;
mas também é comunicadora deste depósito. Por isso, a comunicação pertence à
essência da Igreja. No dizer do santo João Paulo II, as novas mídias são como “o
primeiro areópago dos tempos modernos”. Mesmo que estes meios de comunicação
pareçam separados da mensagem cristã, eles oferecem oportunidades únicas para o
anúncio do amor e da salvação de Cristo.
A nossa Igreja Católica cada vez
mais se insere no mundo digital, por meio de sites, blogs, vídeos, redes
sociais, palestras, músicas, aplicativos... Tudo isso faz parte da obra de
evangelização e enriquece a vida da Igreja, pois ela precisa dialogar com o
sujeito de nosso tempo. Trata-se de comunicar a fé com novas expressões e de
maneiras atuais, mas a verdade da fé é a mesma: o anúncio da Boa Nova de Jesus
Cristo por meio da proclamação do Evangelho e do testemunho.

No dia 1 de junho comemora-se o dia
mundial das comunicações sociais com o tema: “Comunicação ao serviço de uma
autêntica cultura do encontro”. O papa Francisco convida a criar proximidade,
união, solidariedade e encontro por meio das oportunidades que os meios de
comunicação favorecem. A conquista da comunicação deve ser mais humana do que
tecnológica. O convite do papa é que se abra as portas da Igreja no mundo
digital para que o Evangelho cruze as paredes do templo e vá ao encontro de
todos. Ele nos convida a refletir: “Somos chamados a testemunhar uma Igreja que
seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja
assim?” As redes sociais e a internet de modo geral são lugares onde se pode
viver a vocação missionária da Igreja, de redescobrir a beleza da fé e a beleza
do encontro com Cristo. É preciso nos encantar por uma Igreja que consiga levar
calor e inflamar o coração, “uma igreja companheira de estrada, que sabe pôr-se
a caminho com todos.”

Porém, a realidade virtual não
substitui a presença real de Cristo na Eucaristia, a comunidade, os
sacramentos, a liturgia, a proclamação imediata e direta do Evangelho. Mas, os
novos meios de comunicação podem completar, atraindo as pessoas para uma
experiência mais integral da fé e enriquecendo a vida religiosa e catecumenal.